Com governo em fim de feira, Senado pode aprovar impeachment de Ernesto Araújo

O chanceler Ernesto Araújo poderá ser o primeiro ministro de Estado a sofrer impeachment na história da República do Brasil, desde 1889, se o presidente Jair Bolsonaro não trocá-lo antes.

Após o ministro das Relações Exteriores atacar pelas redes sociais a senadora Kátia Abreu (PP-TO), o espírito de corpo prevaleceu no Senado. A maioria dos parlamentares pediu a cabeça do chefe do Itamaraty ao presidente Jair Bolsonaro ou, ameaçam, aprovarão o impeachment de Ernesto.

O ministro caiu em desgraça absoluta ao publicar no Twitter sobre um almoço que teve com a senadora Kátia Abreu no início de março. Segundo Ernesto Araújo, ele que teria ouvido da senadora que se tornaria o “rei do Senado” se fizesse um gesto em relação ao 5G, mas que não fez “gesto algum”.

“Em 4/3 recebi a senadora Kátia Abreu para almoçar no MRE. Conversa cortês. Pouco ou nada falou de vacinas. No final, à mesa, disse: “Ministro, se o senhor fizer um gesto em relação ao 5G, será o rei do Senado.” Não fiz gesto algum”, escreveu Ernesto em sua conta no Twitter neste domingo (28/3).

“Desconsiderei a sugestão inclusive porque o tema 5G depende do Ministério das Comunicações e do próprio Presidente da República, a quem compete a decisão última na matéria”, completou.

A vontade do Senado aprovar o impeachment do ministro é grande. Desde o ano passado, senadores procuram mudar a política fundamentalista do Brasil no exterior. Há vários pontos de tensão do chanceler com os EUA, com a eleição de Joe Biden; China, Rússia, Índia, Venezuela, Irã, Argentina, Bolívia, França, enfim, o ministro Ernesto Araújo isolou o país do resto do mundo com mais eficiência que o norte-coreano Kim Jong-un ou mesmo o Estado Islâmico.

Terraplanista e negacionista, Ernesto Araújo é da cota pessoal do astrólogo Olavo de Carvalho. O guru dos Bolsonaro está sendo consultado sobre a troca no Ministério das Relações Exteriores.