Dúzia de ovo agora tem 10 ovos. E o que Bolsonaro tem a ver com isso?

Fui ao supermercado na semana que passou em busca de uma dúzia de ovo. Abri a caixa para conferir a qualidade do produto quando me surpreendi: apenas 10 ovos!

Nas embalagens não fica explícito que se trata de dez ovos, o que induz o consumidor –como eu– ao erro: eu quis comprar doze, mas levei apenas 10.

Estima-se em 265 ovos que uma galinha põe ao ano. Essa quantidade parece que não se alterou, em média, durante dois anos de produção na granja.

Já a galinha caipira pode produzir por até seis anos os mesmos 265 ovos, antes de a ave ir para a panela.

Mas, afinal, perguntaram-me nas redes sociais, o que o presidente Jair Bolsonaro tem a ver com isso?

Tudo. Explico agora mesmo.

Cabe ao Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) a padronização de pesos e medidas no Brasil. O órgão é uma autarquia federal, vinculada ao Ministério da Economia.

No site do governo federal, se lê que a missão do Inmetro “é prover confiança à sociedade brasileira nas medições e nos produtos, por meio da metrologia e da avaliação da conformidade, promovendo a harmonização das relações de consumo, a inovação e a competitividade do País.”

Como se vê, o Inmetro e o governo não cumprem o que prometem.

Quando um supermercado vende 10 ovos em vez de doze, como se fosse uma dúzia, há uma violação que se pode tipificar como fraude.

Na época que existia governo no País, há uns cinco anos atrás, eu comprei uma caixa com dúzia de ovo contendo 12 ovos — com valor pela metade.

Em 2016, a dúzia de ovo custava R$ 4,87. O levantamento é do Nepes (Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais) tendo como base o estado de Mato Grosso do Sul.

Ou seja, no governo Bolsonaro a quantidade de ovos numa dúzia diminuiu e o preço dobrou enquanto o salário mínimo não teve aumento real algum.

Pode isso?

PS: ninguém vai à panificadora para comprar 800 mililitros de leite, pois há regra, existe um padrão na comercialização de alimentos no País.