Mandetta abre fogo contra Bolsonaro no Roda Viva

O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), abriu fogo contra o presidente Jair Bolsonaro durante entrevista no programa Roda Viva. O Blog do Esmael transmitiu ao vivo.

Íntegra da entrevista de Mandetta (vídeo):

Mandetta no Roda Viva.

Mandetta afirmou que as declarações do presidente Jair Bolsonaro minimizando a SARS-COV-2 não são fruto de despreparo, e sim “decisão consciente” do governo.

“Não acho que seja despreparo, acho que foi uma decisão consciente, sabendo dos números, apostando num ponto futuro (…) Ele se abraçou na tese da economia, já para ter uma vacina para ele e falar: ‘a economia vai recuperar, fui eu que recuperei, não deixei’. Ele fez uma opção política consciente que colocava em risco a vida das pessoas. Isso foi consciente da parte dele, não tenha dúvidas.”

Mandetta, sobre a escolha política de Bolsonaro.

O ex-ministro da Saúde disse na entrevista do Roda Viva que a história da cloroquina foi concebia durante viagem de Bolsonaro para a Flórida, EUA, quando se encontrou com Donald Trump. Segundo Mandetta, lá eles combinaram o discurso contra o distanciamento social e a quarentena.

“Joga cloroquina, começa a chamar de vírus chinês, fala que a culpa é da China. Então não dá para falar da China, fala que é da OMS. Passou o Ministério da Saúde a ser o elemento de raiva, esse é o cara que traz a notícia ruim, fala o que não quero ouvir. Tanto que eles trocam o ministro e uma das primeiras coisas que o ministro militar chega e fala e que não vai mais dar números.”

Mandetta, sobre o uso político da doença.

Diferente do que fala Bolsonaro, no entendimento de Mandetta, o governo priorizou a economia ao invés do combate à doença.

Talvez o ex-ministro da Saúde tenha tentado, mas não conseguiu formular que Paulo Guedes priorizou os ganhos dos bancos durante esse período — às custas de vidas e de sofrimento.

“O presidente falou: ‘eu prefiro atender a econômica porque acho que é mais importante que atender a saúde.'”

Mandetta teve dificuldade para formular e dizer: os bancos faturaram alto enquanto o povo morria e enfrentava filas do auxílio emergencial.

Mandetta também discorreu sobre a virtual fuga do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, para os Estados Unidos.

“Acho que o Moro tem que ficar no Brasil, ele tem que lutar, tem muito a colaborar. Ele combateu um combate muito duro. Deve estar mais maduro também por essa passagem em Brasília. O Brasil espera muito dele.”

Mandetta rasga a seda para Moro.
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