Sérgio Moro teme a visita do “Japonês da Federal” durante o inverno de Curitiba

O ex-ministro e ex-juiz Sérgio Moro não tem dormido direito porque, segundo amigos, estaria receoso de uma inesperada visita do “Japonês da Federal” numa manhã de inverno em Curitiba.

O ex-juiz residente na capital paranaense, onde, nessa época, costuma fazer frito próximo a zero grau. É a capital mais fria do País.

Tirando o fetiche da visita do “Japonês da Federal”, pois o ex-agente Newton Ishii já se aposentou, Sérgio Moro acredita que uma operação da Polícia Federal está em gestação para desmoralizá-lo.

A força-tarefa de Curitiba ataca o procurador-geral da República, Augusto Aras, a quem acusa de atuar com viés político para minar a candidatura de Moro às eleições de 2022.

Note o caro leitor que os procuradores da “República de Curitiba” acusam a PGR de fazer o que eles fizeram no sábado passado, para usar uma expressão do ministro do STF Gilmar Mendes, a política, e assumem que a força-tarefa age como tendência partidária dentro o judiciário ao se colocarem como defensores dos interesses do ex-juiz.

O medo do “Japonês da Federal”, um fetiche criado pela mídia e pela própria Lava Jato, foi alimentado com a recente recusa da força-tarefa de compartilhar dados de operações pretéritas com a chefia da PGR. Foi preciso uma reclamação no Supremo Tribunal Federal (STF), acatada pelo ministro Dias Toffoli, obrigando o compartilhamento de todos os dados.

A paúra em procuradores e no ex-juiz Moro aumentou com a retomada das negociações da PGR para a delação premiada do ex-advogado da empreiteira Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran, que afirma ter sido chantageado por um advogado amigo e padrinho de casamento do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública.

Os procuradores força-tarefa veem objetivo político da PGR, que, segundo eles, visa minar a Lava Jato, a candidatura de Sérgio Moro, e beneficiar o projeto de reeleição do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Sérgio Moro deixou o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública em abril, acusando Bolsonaro de tentar se intrometer nas investigações da Polícia Federal para beneficiar parentes e amigos. Desde então, Moro luta para viabilizar sua candidatura à presidência em 2022.

Embora as pesquisas de opinião enxerguem o ex-juiz como um forte candidato, hoje, ele poderá perder fôlego até 2022. Moro não tem cargo, nem partido, nem palanque para sustentar a corrida rumo ao Palácio do Planalto.

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