Após decisão do STF, Lava Jato vai sofrer intervenção da PGR na semana que vem

A decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, obrigando a força-tarefa Lava Jato a compartilhar os dados das operações no Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro terá desdobramentos práticos na semana que vem.

A Procuradoria-Geral da República (PGR), chefiada pelo procurador Augusto Aras, que ingressou com uma reclamação no STF, agora se prepara para intervir na Lava Jato.

Na semana que vem, procuradores fiéis a Aras irão aos locais rebelados para coletar dados sonegados sobretudo pela “República de Curitiba”, cuja unidade da Lava Jato é coordenada pelo procurador Deltan Dallagnol.

Deltan foi alvo de um procedimento disciplinar esta semana instaurado pelo Conselho Nacional de Ministério Público (CNMP), a pedido da OAB, pelas mesmas infrações descritas pela PGR e acatadas na decisão do STF.

A mais gravosa de todas elas, segundo o relato, seria a que suprimiu patronímicos (sobrenomes) de autoridades para se evadir às regras delimitadoras das atribuições ministeriais na origem. Ou seja, a Lava Jato teria camuflado os nomes dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), para burlar a competência reservado ao Supremo para processar pessoas com foro de função (foro privilegiado).

A busca pelos dados “secretos” da Lava Jato será feita por integrantes da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise (SPPEA). A divisão é subordinada ao gabinete de Aras e tem a função de assessora o Ministério Público Federal (MPF) nas investigações que demandam soluções tecnológicas.

A PGR suspeita que, além de a Lava Jato ter criado vida própria, com regras próprias, não prestam contas a ninguém, exista na força-tarefa um complexo mundo paralelo de coleta de informações de autoridades com foro privilegiado, extrapolando a competência dos procuradores.

Os membros da força-tarefa afirmam que irão recorrer da decisão do STF que os obriga compartilhar dos dados da Lava Jato. Eles foram impelidos a repassar para a PGR “todas as bases da dados estruturados e não-estruturados, utilizadas e obtidas em suas investigações”.

A intervenção da PGR na Lava Jato, com a cobertura do STF, causa urticária não só nos procuradores da força-tarefa no Paraná, Rio e São Paulo. O ex-juiz Sérgio Moro e a TV Globo também estão preocupados que escrutínio dos dados, pois, além dos grampos da era Lula e Dilma, há ainda todas as informações colhidas por Curitiba em operações contra empreiteiras ou do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca —que abria offshores para investigados.

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Financial Times apelida Bolsonaro de “Capitão Corona”

Publicado em 10 julho, 2020

 

O jornal britânico Financial Times, nesta sexta-feira (10), faz do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) uma chacota internacional apelidando o mandatário brasileiro de “Capitão Corona” –numa referência à patente de Bolsonaro ao deixar o Exército e a imperícia do presidente para lidar com a pandemia de coronavírus.

O apelido, mais do que chacota, mostra como o mercado internacional vê Bolsonaro: líder de um picadeiro, que nega o vírus e coloca 210 milhões de brasileiros em perigo constante.

O jornal destaca a postura errática do presidente a respeito da pandemia e do pouco caso, inclusive, com sua própria infecção pelo coronavírus, virando uma espécie de garoto-propaganda de um medicamento sem qualquer eficiência comprovada contra a doença. “Pode-se argumentar que nenhum outro presidente da história democrática recente do Brasil foi tão imprudente consigo mesmo ou com o país”, descreve.

A Europa tem sido bastante crítica em relação ao presidente do Brasil, no que diz respeito ao enfrentamento da Covid-19. Há algumas semanas, uma televisão portuguesa ironizou o fato de Bolsonaro pedir para que o presidnete da Embratur tocasse sanfona em homenagem aos milhares de mortos durante a pandemia.

Resumo do artigo no Financial Times:

  • “A aposta de alto risco de Bolsonaro pode valer a pena. Se o Trump Tropical, como também é conhecido, sofre apenas sintomas leves, ele se tornaria um exemplo vivo de que o Covid-19 é apenas uma gripezinha”
  • “A culpa pelas dificuldades econômicas do país poderia ser transferida para inimigos políticos, que pressionaram por medidas de distanciamento social”
  • “Sua abordagem abrasiva provoca o risco de minar as reformas econômicas”
  • “Embora o ministro da Economia, Paulo Guedes, tenha adotado algumas medidas, a agenda foi em grande parte interrompida, em parte devido à capacidade infalível do presidente de brigar com os legisladores”
  • “Mesmo assim, seus índices de aprovação permanecem em cerca de 30%. Nesse nível, a história sugere que ele seria capaz de afastar o risco de ser expulso do cargo. Os processos de impeachment contra [Fernando] Collor de Mello e [Dilma] Rousseff só avançaram quando suas taxas de aprovação caíram para cerca de 10%. A infecção por Covid-19 também pode dar imunidade a Bolsonaro”

Para o Financial Times, segundo título, “Jair Bolsonaro, o ‘Capitão Corona’ do Brasil, aposta na negação de vírus”. Bingo!