Guedes ameaçar ir embora, mas tem contas para acertar aqui antes

O ministro Paulo Guedes, da Economia, ameaça ir embora, caso o Congresso Nacional interdite as reformas pretendidas pelo governo.

Suponhamos que num lampejo os congressistas barrem a tentativa de Guedes passar a boiada em prol dos bancos e especuladores. Não, ele não poderá ir. Guedes tem contas para acertar antes com a sociedade brasileira.

O ministro da Economia quer beneficiar os empresários com uma reforma tributária, implantar a capitalização previdenciária e vender os ativos (patrimônio público), tais como o pré-sal, para pagar juros e amortizações da dívida pública.

“Se eu puder vender estatais, acelerar privatizações, pegar recursos do petróleo e poder derrubar a dívida [federal], é o que eu tenho que fazer”, confessou o “Posto Ipiranga”, durante um evento online realizado pela XP Investimentos –braço do banco Itaú.

Os trabalhadores e a produção foram escolhidos como os inimigos do governo. Guedes e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) preferem a especulação e as negociatas. Não falam de desenvolvimento e pleno emprego.

Se a “boiada” inteira de Guedes e Bolsonaro passar pelo Congresso –e deverá passar pelas servis casas, Câmara e Senado—os bancos poderão levantar nessa pandemia de coronavírus até R$ 4 trilhões.

A título de comparação, o Orçamento da União de 2020 é de apenas R$ 3,6 trilhões.

Definitivamente, Paulo Guedes não pode ir embora impune. Tem contas para acertar aqui.

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  • Covid-19: Maioria é contra reabertura do comércio, diz pesquisa da CNI

    A maioria da população brasileira é contrária à reabertura do comércio. A reprovação varia segundo o tipo de estabelecimento, variando de 57% para salões de beleza a 86% para cinemas e teatros. Segundo a pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

    Apesar das cenas de bares lotados no Rio de Janeiro e filas para entrada em shoppings em São Paulo, 69% se dizem contrários a reabertura desses estabelecimentos.

    Há divisão apenas em relação ao comércio de rua: 49% se dizem favoráveis à reabertura e 47%, contrários -um empate, considerando a margem de erro de 2 pontos percentuais.

    A pesquisa foi feita por telefone entre os dias 10 e 13 de julho. Foram entrevistadas 2.009 pessoas em todo o Brasil.