O Brasil reabriu 218 shoppings, mas não tem quem compre por falta de dinheiro

O discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a favor da reabertura do comércio para reativar a economia, em tempos de pandemia, é tão “verdadeiro” quanto uma nota de três reais. Ou seja, não passa de mais um engodo.

Segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), 218 shopping centers reabriram em 90 cidades de 14 estados — atendendo à recomendação de Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes.

Pois bem, um “orelha seca” do Blog do Esmael foi na tarde desta segunda-feira (1º) tomar café no Shopping Pátio Batel, em Curitiba. O informante disse que não havia uma viva alma comprando nas lojas, que estavam às moscas.

Primeiro cabe uma explicação: nada de errado com o centro comercial e seus lojistas.

O que está errado, caro leitor, é a falta de dinheiro no mercado.

De nada adianta abrir as lojas e os shoppings se as pessoas estão perdendo emprego, o poder de compra, o que compromete a base de troca –prestação e contraprestação– do sistema capitalista.

Os 218 shoppings reabertos representam uma fatia de 38% do total de 577 estabelecimentos desse tipo no Brasil, informa a Abrasce.

Na capital paranaense, até semana passada, acontecia algo inusitado. Os shoppings relutavam voltar à normalidade porque temiam o está ocorrendo: falta de clientes e de dinheiro circulando na economia.

Há uma forte depressão econômica no País e, Curitiba, embora seja uma cidade rica, não é uma ilha isolada da insanidade neoliberal de Guedes e Bolsonaro.
LEIA TAMBÉM

Bolsonaro é a própria negação da política, diz líder do PT

Perpétua Almeida alerta para risco de sabotagem de manifestações antifascistas

Roberto Requião: “Sempre a mesma coisa, a mesma merda, sempre”

Produção industrial pode cair até 45% em abril, preveem agentes econômicos

A produção industrial brasileira pode ter caído mais de 45% no mês de abril, dizem os principais agentes econômicos do País.

Os dados serão divulgados oficialmente nesta quarta-feira, dia 3 de junho.

O IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), fundação ligada ao Ministério da Economia, por exemplo, prevê queda de 36%. Já os bancos projetam um tombo ainda maior: 45%.

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) admite que a capacidade ociosa nas indústrias chegou a 49% no mês de abril, ou seja, a desgraceira é muito maior do que se imagina.

A falta de um projeto de desenvolvimento nacional tende a piorar o cenário neste mês de junho.

O governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, têm adotado medidas que favorecem o sistema financeira em detrimento da produção e do emprego.

Bolsonaro e Guedes, como numa comédia pastelão, irão liberar as demissões para as empresas que tomaram empréstimos junto ao governo. Ou seja, eles darão dinheiro público para o setor privado eliminar postos de trabalho.

Pode isso? Não pode, mas o neoliberalismo –aliado ao fascismo– acha que pode. Parte da velha mídia golpista apoia essa degola no mundo do trabalho.