Ciro Gomes é cobrado pela privatização da água, responde, mas não convence

O ex-governador Ciro Gomes, mandachuva do PDT, está precisando se explicar por aí sobre o voto de seu irmão e senador Cid Gomes (PDT-CE), que votou favoravelmente à privatização da água.

Ciro jura que é “mentira” que o marco do saneamento permite a privatização da água no País, mas não tem convencido o distinto público.

“Sobre o marco legal do saneamento votado ontem no senado: algumas pessoas não leram e não gostaram. Outras estão simplesmente mentindo sobre o assunto. Como de costume, estou estudando o assunto e ouvindo especialistas para, assim que estiver segurou dar minha opinião”, despistou Ciro, em favor do irmão.

Por 65 a 13 votos, o Senado aprovou ontem (24) o PL 4.162/2019, que estabelece um novo marco legal para o saneamento básico, qual seja, autoriza a privatização da água em todo o País.

Um dos votos foi de Cid, que é filiado no PDT.

Embora o partido seja contra as privatizações, a bancada pedetista foi liberada na votação do PL 4.162/2019.

O irmão de Ciro, Cid, foi um dos assuntos mais comentados no Twitter pelo flerte com o neoliberalismo de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes.

“Em síntese o projeto da água acabou com subsídio cruzado. É uma regressão a caminho da privatização absoluta de tudo. Não enrolem com outros argumentos!”, contestou o ex-senador Roberto Requião (MDB-PR).

“Cid Gomes passou com a retroescavadeira no túmulo do Brizola”, escreveu um internauta no Twitter.

“Na semana em que lembramos os 16 anos sem Leonel Brizola, senador do PDT Cid Gomes passa com a retroescavadeira em cima do legado de meu avô”, disparou o vereador Leonel Brizola Neto (PSOL-RJ).

De acordo com a Emenda Constitucional aprovada ontem (24), os responsáveis pela prestação do serviço de saneamento poderão permitir a exploração por meio de concessões à iniciativa privada, por licitação.

Parlamentares da oposição dizem que a exigência de licitações e as metas de desempenho para contratos tenderão a prejudicar e alienar as empresas públicas. Além disso, o texto aprovado estabelece prioridade no recebimento de auxílio federal para os municípios que efetuarem concessão ou privatização dos seus serviços.

O geólogo e professor emérito da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Fernando Scheibe, afirma que empresas como a Nestlé e a Coca-Cola tem interesse na privatização porque querem aumentar o controle sobre o mercado da água não só por se tratar de matéria-prima fundamental para seus principais produtos, mas também para explorá-la enquanto commodity.

LEIA TAMBÉM

  • Requião critica a ‘Frente Ampla’ pela privatização da água no Senado
  • Senado vota hoje autorização para a privatização da água em plena pandemia de coronavírus
  • [Ao vivo] O último gole de água como bem público; Senado pode aprovar privatização do saneamento
  • Requião ‘pede água’ no Twitter
  • Boulos propõe fim de despejos e anistia para as contas de luz, água e gás