Human Rights aponta irresponsabilidade de Bolsonaro no combate ao coronavírus

Gotículas da saliva de Bolsonaro são captadas pela lente Joedson Alves, da EFE.
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) age de forma “irresponsável” diante da pandemia do novo coronavírus e está colocando os brasileiros em “grave perigo”. As afirmações constam de um relatório publicado hoje (11) pela ONG Human Rights Watch.

“O Presidente Jair Bolsonaro está colocando os brasileiros em grave perigo ao incitá-los a não seguir o distanciamento social e outras medidas para conter a transmissão da COVID-19, implementadas por governadores no país inteiro e recomendadas por seu próprio Ministério da Saúde”, diz o relatório da ONG.

LEIA TAMBÉM:
Bolsonaro, o Judas, é malhado em todo o País

Nojo! Bolsonaro coça o nariz e segue cumprimentando idosa; assista

Fim do confinamento antes da hora pode causar ‘retorno mortal’ da Covid-19, alerta OMS

“Ele também age de forma irresponsável disseminando informações equivocadas sobre a pandemia”, continua o texto.

A Human Rights Watch elenca ainda uma série de medidas tomadas por Bolsonaro em meio à pandemia do novo coronavírus, além de declarações feitas pelo presidente. Entre elas, a decisão do presidente em editar uma medida provisória, no dia 20 de março, para retirar dos estados a competência para restringir a circulação de pessoas como forma de conter a covid-19. Quatro dias depois, a medida foi derrubada por uma decisão liminar do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A ONG também afirma que, apesar do “risco potencialmente fatal para a saúde dos brasileiros”, desde o início da crise Bolsonaro tem minimizado a gravidade da covid-19, chamando- a de “gripezinha”, “resfriado” e até de uma “fantasia” criada pela imprensa.

O relatório diz ainda que, ao “repetidamente” desconsiderar as recomendações de distanciamento social e incentivar as pessoas que não são “idosas” a fazerem o mesmo, o presidente as coloca em risco de contágio.

“Ele conclamou as pessoas a participarem de uma manifestação pró-governo no dia 15 de março e interagiu com os manifestantes, inclusive apertando as suas mãos. Na época, ele deveria estar em quarentena, já que vinte e quatro pessoas de uma delegação oficial que viajou com ele para os Estados Unidos haviam testado positivo para o vírus”, ressalta o texto.

A organização lembra ainda que, em pronunciamento feito no dia 24 de março, Bolsonaro pediu para que os brasileiros “voltassem à normalidade” e que a campanha publicitária sob a hashtag #ObrasilNãoPodeParar, que seria veiculada pelo governo federal, acabou impedida pela Justiça por contradizer as recomendações do Ministério da Saúde.

Mais de mil mortes no Brasil
A Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, superou a marca de mil mortes no Brasil nesta sexta (10). Balanço do Ministério da Saúde aponta o total de 1.056 mortes e 19.638 casos confirmados.

Com informações do Uol.