Membro da Lava Jato testemunhou a favor de “doleiro dos doleiros” em 2011

Dario Messer e Januário Paludo têm vidas entrelaçadas, segundo o UOL.
O procurador regional da República, Januário Paludo, integrante da força-tarefa Lava Jato, testemunhou em favor do “doleiro dos doleiros” Dario Messer, em 2011, em um processo que tramita na Justiça Federal do Rio de Janeiro.

Suspeito de ter recebido propina do próprio Messer, Paludo foi chamado a prestar depoimento por um advogado do doleiro Antonio Figueiredo Basto. O procurador aceitou e o inocentou em juízo, segundo reportagem do portal do UOL neste sábado (15).

O relato de Paludo é citado no pedido de absolvição de Messer encaminhado pela defesa do doleiro à Justiça neste mês. O doleiro está preso desde julho de 2019 pela Operação Câmbio Desligo. Ele é apontado pela Polícia Federal como um dos principais doleiros na lavagem de US$ 1,6 bilhão, evasão de divisas e organização criminosa.

Paludo foi testemunha de defesa de Messer no Caso Banestado, entre 2003 e 2005, que investigou as célebres contas CC5 em cuja ação penal também atuou o então juiz federal Sérgio Moro. Nesse escândalo, calculou-se 134 bilhões de dólares evadidos do país (R$ 576 bilhões).

No depoimento à Justiça, em 2011, porém, o procurador jurou que não ter encontrou provas contra o doleiro ou sua família. “Até a parte onde eu fui, não identificamos, em princípio, nenhuma ligação da família Messer”, disse.

Entretanto, destaca o UOL, Paludo não revelou em juízo que ele e seus colegas pediram a prisão preventiva de Messer em 2005. Esse procedimento ocorre quando há evidente conexão do suspeito com o crime.

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O nome do procurador tem peso na Lava Jato, haja vista que ele empresta sua reputação ao grupo do Telegram –“Filhos de Januário”– que o site The Intercept Brasil derrubou na Vaza Jato, em junho passado de 2019.

“Essa história está cada vez pior. Primeiro o nome dele foi citado em um grampo como recebedor de propina. Agora isso: a relação dele com o propineiro é antiga. Januário Paludo da nome a um dos principais grupos de Telegram da Vaza Jato: o Filhos de Januário”, afirmou o jornalista Leandro Demori, editor do Intercept.

A Lava Jato, por meio de nota, disse que continua confiando no procurador Januário Paludo, apesar das suspeitas levantadas pela Polícia Federal.

“Uma grande parte da corrupção no Brasil reside dentro do Ministério Público e Lava Jato (incluindo vazamentos criminais constantes sobre investigações, mas muito além disso). Até que isso seja aceito, a corrupção nunca poderá ser combatida”, declarou o jornalista americano Glenn Greenwald, fundador do Intercept no Brasil.

Clique aqui para ler o depoimento de Januário Paludo como testemunha de Messer.

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