Por Esmael Morais

UNE define Bolsonaro como inimigo número 1 da educação

Publicado em 06/05/2019

Foto: Mídia Ninja.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) relançou a UNE (União Nacional dos Estudantes) –para a geração mais nova– ao promover cortes de até 30% na educação e perseguir professores nas escolas e universidades brasileiras.

Nesta segunda-feira (6), ocorreram protestos estudantis na Bahia e no Rio de Janeiro. Segundo a entidade, as manifestações de hoje foram uma amostra do que virá no dia 15 de Maio, dia de mobilização nacional construído por estudantes e educadores.

A UNE repercutiu em seu site oficial os atos e convocou a greve da educação para daqui 9 dias em todo o País.

Leia a íntegra:

Universidades e escolas protestam contra cortes de 30% no setor

Extremamente preocupadas universidades e institutos federais de todo o Brasil se pronunciaram repercutindo o anúncio do bloqueio de 30% no orçamento das instituições de ensino pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub.

Um dia depois do ministro ameaçar o corte como retaliação apenas às instituições de ensino UnB, UFBA, e UFF que teriam promovido “balbúrdia”, o MEC anunciou ainda na semana passada que na verdade o contingenciamento será a todas universidades e institutos federais.

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Nesta segunda-feira (06/5) a comunidade acadêmica da UFBA realizou um protesto contra os cortes que saiu da Faculdade de Educação e tomou a Avenida Reitor Miguel Calmon, uma das principais vias da capital baiana. O reitor da UFBA, João Carlos Salles, afirmou que cerca de 40 mil alunos são afetados pelo corte do orçamento, que já entrou em vigor na última semana.

Alunos, pais e professores também protestaram contra os cortes nos institutos federais em frente a um colégio militar na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. Lá o presidente Jair Bolsonaro participava de uma solenidade. Os atos são preparatórios para o dia 15 de Maio, data em que uma grande paralisação da Educação está marcada.

“Não podemos admitir esse corte porque isso significa que o Brasil vai parar de produzir ciência, que a universidade vai perder qualidade e que esses projetos como Escola Sem Partido e essas tentativas de cercear a nossa liberdade transforme o ambiente universitário em autoritário e um lugar onde a gente não possa protestar. E para que a gente consiga proteger a universidade pública nós precisamos nos organizar e por isso estamos convocando a comunidade acadêmica a debater o assunto para que possamos motivar a luta em defesa da universidade pública em assembleias e atos no dia 15 de Maio, uma preparação para a greve geral que acontecerá em Junho”, afirmou a presidenta da UNE, Marianna Dias.

ATIVIDADES UNIVERSITÁRIAS PODEM SER INTERROMPIDAS

UFG, UFF, UFPR, UFPel, UFPE, e o Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) já foram categóricas em dizer que o corte inviabiliza as atividades das instituições até o final do ano.

“Se forem cortados 30% do orçamento, significa simplesmente que nós funcionaremos até setembro. A UFPel não tem nenhum tipo de corte para fazer, tudo que existia para cortar já foi cortado. É uma irresponsabilidade minha, como gestor, fazer cortes a mais”, disse o reitor Pedro Hallal para a Gaúcha ZH.

Em Pernambuco o pró-reitor de Planejamento e Finanças, Thiago Galvão disse à Rádio Jornal que caso o MEC não volte atrás na decisão, a UFPE também vai ter que decidir quais ações serão paralisadas. “No primeiro semestre, o impacto não será significativo, mas, no segundo semestre pode, inclusive, inviabilizar as atividades. Esses é um processo que vai ser discutido junto com o Conselho Universitário, com a administração para ver que atividades serão paradas caso esse bloqueio seja continuado”.

Já a UFPR, afirmou que as atividades podem simplesmente parar por falta de dinheiro para despesas básicas como o pagamento de luz, água, telefone, combustível, vigilância, passagens, contratos de terceirizadas responsáveis por limpeza, entre centenas de outros serviços essenciais.

“Esse corte, nesta altura, vai inviabilizar a atividade da universidade. Mesmo com uma ação radical da nossa parte, e estamos tentando, por mais que façamos uma racionalização profunda, é praticamente impossível chegarmos com o que resta de recursos até o final do ano.”, afirmou ao site Bem Paraná, o reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca.

Em Minas Gerais as demissões dos terceirizados já começaram. A Unifal afirma que já havia reduzido o pessoal devido ao congelamento do teto de gastos em 2018, mas agora não existe mais o que cortar. “Demitimos uns 60 em função desse bloqueio que havia sido anunciado. Temos número reduzido de servidores concursados. Como faremos para a universidade funcionar? Com colaboradores terceirizados. Como há necessidade de redução, isso vai afetar gravemente o funcionamento da universidade e de serviços prestados à população”, afirmou o reitor Sando Amadeo Cerveira ao jornal O Tempo. Entre os serviços está o atendimento da Clínica de Especialidades Médicas.