Deputado Enio Verri propõe ‘desobediência civil’ contra reforma trabalhista

O deputado Enio Verri (PT-PR) torce para que esta sexta-feira, dia 10 de novembro, seja o início de uma inarredável desobediência civil contra o golpe de 2016 e o que ele está tirando da nação e dos brasileiros. O movimento é para não respeitar a reforma trabalhista, prevista para vigorar a partir deste sábado (11).

Sem resistência, o Brasil não será dos brasileiros

Enio Verri*

Há mais de um ano, a nação brasileira assiste a um voraz desmonte do Estado e a destruição da capacidade de se alcançar e manter a soberania, tanto do ponto de vista da entrega dos bens da nação, quanto da supressão de direitos trabalhistas. Partidos do campo da esquerda, entre os quais o Partido dos Trabalhadores (PT), ocupam diariamente as redes sociais a denunciar o golpe contra a democracia, instalado em 2016. Apensar de as informações serem as mais aterradoras para o futuro de toda a nação, o comportamento geral é de apatia e perplexidade.

Desde o início de 2016, o Estado foi asfixiado na sua capacidade de desenvolvimento; as empresas estratégicas e os recursos energéticos são entregues ao capital internacional, privado e estatal; as condições de trabalho voltam ao período da escravidão, com a maior desregulamentação das relações entre o capital e o trabalho e decreta-se o fim da Previdência e o direito dos pobres de se aposentarem. A cada dia, revela-se mais nitidamente o caráter entreguista desse desgoverno golpista, bem como a face da classe para quem Temer governa, a elite brasileira.

Depois que paralisou o Estado, a camarilha retirou de uma das maiores petrolíferas do mundo, a Petrobras, a prerrogativa dela ser a operadora exclusiva do pré-sal, uma área com recursos energéticos de valor inestimável, com cerca de 80 bilhões de barris de petróleo e gás. Fosse o Brasil o dono, hoje seria o 6° maior produtor de petróleo do mundo. Era, segundo o Lula, o bilhete premiado do Brasil para a soberania e posição de destaque nas cúpulas de decisões mundiais. E a voracidade vai bem além.

Temer editou a MP 795/17, e concedeu isenção fiscal a empresas estrangeiras que preferirem comprar da indústria de seus países, a comprar da indústria brasileira, equipamentos para retirar o nosso petróleo. Em meio a 13 milhões de famílias brasileiras atemorizadas pelo desemprego, o golpista decorativo estimula a criação de empregos e de tecnologia em outros países. Quando é para favorecer o capital internacional, não há déficit público. Apenas em 2018, o Brasil terá um prejuízo de R$ 17 bilhões. Até 2014, o valor pode chegar a R$ 1 trilhão.

A camarilha também editou a MP 805/2017, que aumentou de 11% para 14% a alíquota de contribuição social e revogou a recomposição salarial dos servidores públicos. Com a suspensão do reajuste, o governo espera economizar R$ 5 bilhões, em 2018. Já com o aumento da alíquota, Temer espera arrecadar R$ 2 bilhões. O ministério de notáveis bandidos também anunciou que reduzirá o salário mínimo, em R$ 10. A economia esperada, em 2018, com o saque no salário dos mais pobres para cobrir um rombo superior a R$ 159 bilhões, é de aproximadamente R$ 380 milhões.

O espaço é pequeno para descrever que será feito com o BNDES, a CEF, o Banco do Brasil, a Eletrobras, os Correios, a Casa da Moeda, aeroportos, entre cerca de 60 empresas na mira das privatizações que Temer pretende levar adiante. Assim, ele paga sua dívida com quem o sustenta no poder e ainda pode reaver os bilhões que gastou comprando deputados para livrá-lo dos crimes que cometeu, com a sua camarilha.

O que ainda falta acontecer para a população reagir à altura contra os crimes de lesa-pátria perpetrados pelo consórcio golpista, formado pelos três poderes da República, a elite financeira e uma de suas armas, os grandes veículos de comunicação? A mídia mantém a população atenta à novela Lava Jato, ou a alguém nu no museu, ou ao mais novo namorado de uma apresentadora de televisão. Enquanto isso, a nação é assaltada sem uma mínima reação contra os traidores.

Caso a imprensa noticiasse o golpe e os crimes cometidos por ele, com a mesma intensidade e virulência com que persegue Lula e o PT, o ministério de notáveis traidores da nação não teria durado uma semana no Palácio do Planalto. É inacreditável, por exemplo, não ter havido uma grande paralisação da classe trabalhadora contra as declarações infelizes do presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra. O fato é noticiado positivamente, sob as expressões “modernização” e “criação de empregos” para 13 milhões de pessoas desesperadas por uma vaga de trabalho.

Segundo o presidente de um tribunal de jus-ti-ça, é justo que trabalhadora/es pobres, desta/es que empesteiam o nobre ar das varas e dos imaculados gabinetes dos juízes da Justiça do Trabalho, em sandálias de dedo e maltrapilhos, paguem as custas do processo, quando esta/e, por qualquer motivo, perder a causa. Não foi um ministro da Finlândia, mas o de um país onde a escravidão durou 400 anos, acabou há apenas 129 anos e foi muito mal resolvida, gerando um passivo histórico com a nação.

Oxalá, o dia 10 de novembro seja o início de uma inarredável desobediência civil, de todas as famílias brasileiras que prezam pela sua dignidade e acreditam na soberania brasileira como condições para retomarmos o que o golpe de 2016 está tirando desta nação. As mãos egoístas da elite mais brejeira e truculenta das Américas devem ser contidas e algemadas. Já a sua mídia abjeta, democratizada. Às ruas, somente as ruas farão recuar o golpe e nos darão de volta o botim do golpe de 2016.

*Enio Verri é deputado federal pelo PT do Paraná.

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