Requião Filho: “Os eleitos não representam os eleitores”

Requião Filho (PMDB) escreve nesta terça (15) da crise de representatividade no país às vésperas de 2018. “Ficaremos com mais dos mesmos até que uma nova onda de garantias e direitos ressurja e a democracia seja retomada”, lamenta.

Os eleitos não representam os eleitores

Requião Filho*

Hoje vamos falar sobre crise de representatividade. A pouco mais de um ano das eleições, o que vemos pelo país é uma rejeição generalizada à classe política brasileira.

O que era para ser um grande evento democrático tem tudo para se tornar uma guerra ideológica sem precedentes no país. Mas afinal, por que a população não se sente representada pelos políticos que ela mesma elege? Culpa do sistema político ou reflexos da corrupção que assola o Brasil?

A desigualdade pode estar relacionada aos baixos índices de credibilidade no sistema político, juntamente com uma onda negativa que contamina a percepção sobre a própria democracia.

Em recente pesquisa realizada pelo instituto Ipsos, 94% dos eleitores não se sentem representados pelos políticos. E apenas um em cada dez cidadãos veem o Brasil como um país onde a democracia é respeitada.

O descrédito é tamanho que a desesperança tomou conta das ruas e até mesmo das redes sociais. Pessoas que, durante anos, batalharam por seus direitos, estão aos poucos vendo todos os seus sonhos escorrendo pelas mãos. E, em meio a tudo isso, há uma parcela significativa que ainda acredita na conciliação entre os partidos para resolver os problemas mais urgentes.

O ciclo da polarização partidária realmente acabou da forma como conhecíamos, trazendo à tona novas vertentes de ideias e partidos que, nem sempre, representam um caminho decente a ser seguido. Mas em meio a essa confusão ideológica, esses emergentes podem ter uma ascensão imediata um tanto perigosa. “Na falta de outra ideia melhor, vai essa mesma”, dirão.

O caminho é tortuoso. O futuro incerto. Precisamos estar preparados para tudo, uma vez que os próprios indignados não querem se colocar à frente para salvar a pátria.

E com razão! Na atual conjuntura de listões e distritões, nem oportunidade real terão de se eleger. Ficaremos com mais dos mesmos até que uma nova onda de garantias e direitos ressurja e a democracia seja retomada.

Se há uma crise de representatividade ela deve ser combatida e vencida pela própria população, que tem no voto seu grande poder de transformação.

*Requião Filho é deputado estadual pelo PMDB do Paraná.

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