Coluna do Rafael Greca: Curitiba é exceção, exceto o prefeito

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Em sua coluna desta quarta-feira, Rafael Greca (PMN) aponta as ligações do prefeito Gustavo Fruet (PDT) com o PT da presidenta Dilma e as possíveis participações dele nos casos de corrupção investigados pela Operação Lava Jato. Greca lembra que Fruet aparece no listão da Odebrechet e até recentemente era fiel apoiador do governo federal da presidenta Dilma Rousseff, que agora ele critica. Ele fala também do imobilismo da administração municipal, que muito pouco faz sob a alegação de estar quitando dívidas. Leia, ouça, comente e compartilhe.

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Rafael Greca*

Viu a última do Gustavo Fruet? Três meses após assinar o manifesto pró-Dilma, agora defende que “o PDT precisa romper com o governo Dilma.” Como é volúvel este prefeito. Muda de opinião ao sabor do vento, tal qual biruta de aeroporto.

Antes desta, teve outra. Fruet disse que Curitiba está “na contramão.” E também que vai entregar a prefeitura a um “sucessor.”São palavras dele: “Ao fim do mandato, teremos pago quase R$ 1 bilhão em dívidas de outras gestões. Estamos colocando a casa em ordem. Não quero deixar para meu sucessor a mesma situação na qual assumi o mandato.”

Pelo visto, lido e escutado, Fruet parece até que não é o prefeito ou que não será candidato à reeleição, pois age como se os problemas da cidade não fossem da responsabilidade dele; e fala como desobrigado a prestar contas para comprovar o que diz.

Não se aborreça Fruet. Prefeito tem que prestar contas. Tem que saber responder: O que foi feito Prefeito? Nada? Onde foram parar os mais de 18 bilhões de reais recebidos ou arrecadados nos últimos três anos?

Responda comigo. A casa está em ordem?

Não está, sabemos que não. Os buracos, os ratos, os bueiros, as ferrugens nas ferragens, os moradores de rua, as pichações dizem que não. O aumento de impostos, em tempos de recessão, diz que não. O arrocho fiscal do comerciante empreendedor diz que não. A desintegração do transporte diz que não. As obras paradas dizem que não.

A realidade nega o falatório eleitoreiro do prefeito.E em relação a dívida municipal? Qual foi mesmo o volume destas alegadas dívidas herdadas? O Governo Federal do PT não ajudou nada?

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Devido as tantas informações desencontradas, produzidas pelo “marvado” proselitismo eleitoreiro, há um gigante ponto de interrogação sobre as dívidas de Curitiba — proclamadas como a desculpa número 1 no reativo discurso do prefeito.

Discurso reativo e cada vez mais minguado em lógica.

Recentemente, na loja maçônica Acácia da Liberdade, ouvi testemunho que a prefeitura recebeu quase integralmente os devidos repasses constitucionais. E que os problemas financeiros da prefeitura não decorrem das Receitas, mas das Despesas.

Fui conferir. E a informação confere. As transferências foram feitas e o aumento da arrecadação municipal é fato.

Dois tributos municipais tiveram crescimento real em 2015: o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), reajustados por lei municipal sancionada no final de 2014.
O prefeito aumentou o IPTU em 2,4%. E aumentou o ITBI em 2,7%. A arrecadação de IPTU registrou crescimento de 13,22%. E a do ITBI, 14,64%.

Portanto, causa estranheza que prefeito Gustavo Fruet persista na versão que nada fez, e nada faz, porque pagou dívidas. Fruet passou os três últimos anos falando isso. E continua tal falatório, com mais frequência e volume, neste último ano de sua gestão.

É uma confissão de desinvestimento. Fruet apenas confessa que nada investiu. Que não há investimento ou atração de investimento. Investidores não há. O desemprego cresceu. A inflação galopou. E o prefeito fugiu da raia. Ninguém o vê. Ninguém o viu.

Já no primeiro ano, em 2013, Eleonora Fruet afirmou que a dívida da prefeitura deu um salto de 34,9% naquele ano. No fim de 2012, Curitiba devia R$ 698 milhões e fechou 2013 com R$ 942 milhões em dívidas.

Os próprios Fruet’s confessam que no primeiro ano de administração, a dívida cresceu R$ 224 milhões — segundo dados apresentados pela primeira-irmã durante audiência de prestação de contas na Câmara de Curitiba no dia 28 de fevereiro de 2014.

Isso teria acontecido devido à contratação de um empréstimo de R$ 93 milhões para as obras do metrô em 2013?
Ora, em anos muito mais críticos assumimos a prefeitura de Curitiba. E, em meio a anos difíceis, ampliamos e modernizamos a economia local, projetando Curitiba em ritmo veloz na corrida industrializante, procurando captar as decisões de investimentos empresariais em cidades para Curitiba.

Mesmo durante os anos de pesada inflação, de instabilidade, de recessão e de falta de investimentos concretos, transformamos para melhor a base produtiva de Curitiba, nossa performance econômica foi superior à brasileira. De forma objetiva, melhoramos a vida das pessoas, acelerando e fazendo avançar processos de urbanização que combatiam as muitas carências sociais.

Este esforço social sério nos valeu o prêmio Habitat da ONU, coisa bem diferente dos 26 prêmios que Fruet tenta ostentar. Já viram os 26 prêmios de Fruet? Sem desmerecer os autores da premiação, vejam. Vejam e comparem. Fruet, não use as pessoas para ostentar um reconhecimento que você não conquistou. Não tente enganar Curitiba. Respeite a nossa cidade. Seja honesto com as pessoas, não minta.

Será mesmo que não há estruturas de corrupção estabelecidas na prefeitura? Afinal, como escreveu Fruet, “a capital do Paraná se tornou o símbolo nacional do combate à corrupção e temos o dever de fazer nossa parte”, mas o que foi feito nesse sentido prefeito?

Entregar a secretaria de saúde, 23% do orçamento municipal, para o ultradenunciado e condenado PT-PR
De 2013 até hoje, houve sim crescimento real da arrecadação.

Mas o prefeito tem se empenhado em tentar negar isso, enquanto continua a comandar o maior corte de serviços públicos da história da cidade de Curitiba. Os serviços não foram mantidos.

Além do IPTU e do ITBI, cresceu também a arrecadação do Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISS), que responde por 14% da previsão de receitas de Curitiba. O ISS cresceu dos R$ 650 milhões em 2014 para R$ 676 milhões em 2015 — crescimento de 4,1%.

O mesmo aconteceu no Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), que apesar de ser estadual tem 25% de seu valor arrecadado repassado aos municípios. Ao fim do segundo quadrimestre de 2014, Curitiba recebeu R$ 380 milhões. Em 2015, o valor foi de R$ 399 milhões — crescimento de 5%.

Cresceu ainda a fatia de Curitiba no Fundo de Participação dos Municípios, composto em grande parte pelo Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Os R$ 123 milhões recebidos em 2014 cresceram 5,9% no mesmo período de 2015.

Nos últimos três anos, Curitiba arrecadou muito. Arrecadou mais. E gastou muito mal, desperdiçou muito, não soube investir, não soube atrair investimentos.

Fruet, que pulou no galho do Petrolão para se eleger, agora tenta quebrar outro galho. Tenta surfar na onda da #LavaJato para contar alguma vantagem. E flagrado no Listão da Odebrecht, saiu-se com a desculpa que Curitiba é exceção. Sim, Curitiba é exceção, exceto o prefeito na contramão da cidade.

Afinal, Fruet combateu a corrupção ou foi conivente com os corruptos? Se combateu a corrupção, por que o seu nome apareceu no Listão da Odebrecht? Curitiba é exceção, exceto o Prefeito.

*Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba, é engenheiro. Escreve às quartas-feiras no Blog do Esmael sobre “Inteligência Urbana”.

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