Sobre o movimento pela redução de salários de vereadores e deputados

Movimento pela redução de salários se legitima país afora porque câmaras e assembleias transformam-se em "puxadinhos" do executivo ao não cumprirem com seu papel político e constitucional de fiscalização; embora não consiga reverberar isso, por falta de espaço na mídia, sociedade percebe vereadores e deputados como assessores de luxo de prefeitos e governadores; eleições de 2016 pode ser o “cano de escape” da cidadania.

Movimento pela redução de salários se legitima país afora porque câmaras e assembleias transformam-se em “puxadinhos” do executivo ao não cumprirem com seu papel político e constitucional de fiscalização; embora não consiga reverberar isso, por falta de espaço na mídia, sociedade percebe vereadores e deputados como assessores de luxo de prefeitos e governadores; eleições de 2016 pode ser o “cano de escape” da cidadania.

O Brasil inteiro aplaudiu no mês passado um movimento iniciado no município de Santo Antônio da Platina, Norte Pioneiro do Paraná, que consistia na redução do salário dos vereadores. Como se fosse um rastilho de pólvora potencializado pelas redes sociais transformou-se num grandioso gesto de cidadania. Outras câmaras, prefeituras e governos estaduais, país afora, debatem diminuir os vencimentos do legislativo e executivo.

Os salários de vereadores, prefeitos, deputados e do governador não são os principais problemas nestas plagas, por exemplo. Também não o são em outras partes desta nação-continente. Bom que fosse!

A velha mídia despolitiza a sociedade ao valorar tal tema, deixando para trás o que realmente devasta os orçamentos públicos. Há um quê de udenismo (falso moralismo) nessa conversa.

O que seria mais nefasto ao estado do Paraná, o salário de R$ 26 mil dos parlamentares na Assembleia ou o confisco aprovado em abril, pelos mesmos deputados, que surrupiaram R$ 8 bilhões da aposentadoria dos servidores públicos? Eis a verdadeira discussão.

Interessar-nos-ia mais como votam os representantes nos legislativas, as leis aprovadas, que os salários recebidos mensalmente.

Essa discussão sobre salário é pequena, despolitizada e diversionista. Ela tende a gestar próximas legislaturas nas câmaras e assembleias piores que as atuais.

Na verdade, a sociedade é contra a avacalhação generalizada no executivo e no legislativo.

Um deputado não ganha somente R$ 26 mil nem um vereador de Curitiba, por exemplo, tem salário de apenas R$ 16 mil.

Há dezenas de “cargos cruzados” entre os dois poderes (executivo e legislativo) que nem a vã filosofia é capaz de supor. É contra isso que a cidadania se indigna e se levanta, porém, ela não consegue expressar-se adequadamente devido à falta de espaço nos meios de comunicação tradicional.

Também motiva a mobilização contra os salários o desejo de renovação nos parlamentos municipais nas eleições de 2016.

Portanto, a redução de salários em parlamentos que cumprem seu papel constitucional e político seria um golpe. Agora nas casas legislativas transformadas em “puxadinhos” do executivo, como a Câmara de Curitiba e a Assembleia Legislativa do Paraná, aí é discutível. Teto salário de R$ 4 mil seria de bom tamanho.

Vereadores e deputados há muito se transformaram em assessores de luxo, que são caros demais para o erário bancar. É contra esse desperdício que paranaenses e brasileiros se levantam.

O salário é baixo tanto para trabalhadores quanto para parlamentares. Entretanto, um cumpre o contrato, outro não. Um ganha menos que merece, outro mais que merece. Eis a diferença básica entre ambos.

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