Contra o marco civilizatório, Veja propaga terrorismo do desemprego doméstico

do Brasil 247

A pretexto de elogiar um "marco civilizatório", em capa e oito páginas sobre a chamada PEC das Domésticas, revista Veja anuncia de maneira pouco subliminar que onda de desemprego pode atingir 20 milhões de trabalhadores nos lares da classe média nacional; afinal, custará muito caro manter funcionários do lar; não é verdade; empregados domésticos já têm direito a normas da CLT há mais de 30 anos; apenas houve regulação da jornada máxima de trabalho, para oito horas diárias; Veja gostaria de 18 horas? 20?; e que mal há em fazer como nos Estados Unidos e na Europa, onde todos lavam o próprio prato em que se comeram?

A pretexto de elogiar um “marco civilizatório”, em capa e oito páginas sobre a chamada PEC das Domésticas, revista Veja anuncia de maneira pouco subliminar que onda de desemprego pode atingir 20 milhões de trabalhadores nos lares da classe média nacional; afinal, custará muito caro manter funcionários do lar; não é verdade; empregados domésticos já têm direito a normas da CLT há mais de 30 anos; apenas houve regulação da jornada máxima de trabalho, para oito horas diárias; Veja gostaria de 18 horas? 20?; e que mal há em fazer como nos Estados Unidos e na Europa, onde todos lavam o próprio prato em que se comeram?

O que nos Estados Unidos, Europa, Japão e qualquer país civilizado !“ por falar em marco civilizatório !“ é uma praxe, um costume e um traço cultural transmitidos de geração em geração, com exceções entre os escravocratas derrotados na Guerra da Secessão, a realeza de sangue azul e os samurais com suas gueixas, para a revista Veja é um fardo. Uma humilhação. Um derradeiro rebaixamento. Lavar os próprios pratos, onde já se viu!

Com gravata azul céu, camisa bem cortada e felpuda toalha de rosto caída no ombro sobre o avental vermelho !“ Veja ainda não descobriu o pano de prato! !“, um modelo simulando um personagem de classe média está ensaboando uma louça na qual se come o almoço e o jantar ao lado do título Você Amanhã. No que é chamado de olho no jargão jornalístico !“ texto curto que vai imediatamente abaixo da frase em destaque –, a publicação carro-chefe do Grupo Abril vaticina o desemprego de milhões de empregados e empregadas domésticas no Brasil, de maneira nem tanto subliminar: “As novas regras trabalhistas das empregadas são (…) um sinal de que em breve as tarefas domésticas serão divididas entre toda a família”. A expressão “marco civilizatório” está entre o início e o fim da ameaça.

Em outras palavras, a revista propaga que, em razão da Proposta de Emenda à  Constituição aprovada agora pelo Senado, com entrada em vigor na próxima semana, e que finalmente extende direitos trabalhistas básicos aos profissionais que historicamente realizam tarefas domésticas nos domicílios dos outros, seus patrões, ergue-se dentro das casas e apartamentos uma onda de desemprego. Uma onda capaz de afetar o mercado de trabalho de 20 milhões de profissionais.

Veja, com a capa da presente edição nas bancas, chega a um de seus mergulhos ideológicos mais baixos. Um superação em termos de preconceito, cinismo e terrorismo social. Em oito paginetas, como se diz entre os jornalistas para designar folhas de papel editadas, a revista crava de saída que os serviços domésticos ficarão mais caros. As tarefas do lar terão de ser feitas, em razão do buraco nas contas familiares que a nova legislação indica, pelos donos da casa. Fica subententido que isto seria um retrocesso no modo de vida do brasileiro, uma derrota pessoal e familiar.

As inverdades na tese !“ é assim que se chama, entre os profissionais da mídia, o viés ideológico de uma reportagem !“ são muitas. Não é de hoje, mas sim de logo depois da redemocratização do País, nos anos 1980, que as empregadas e empregados domésticos ganharam direito a ter carteira de trabalho assinada, recolhimento de contribuição à  Previdência Social e todos os demais direitos trabalhistas estabelecidos no Brasil entre as décadas de 1930 e 1940, já lá se vão mais de 60 anos. O que se aprovou agora foi apenas a regulação da jornada de trabalho, de oito horas diárias, como a de muitas categorias profissionais, e o estabelecimento de vínculo empregatício após a chegada ao limite de uma quantidade mínima de horas dedicadas ao trabalho. Nada assustador. “Um marco civilizatório”, como acentuou a própria Veja !“ porém, para soltar o fantasma do rompimento de antigas relações de lealdade e colaboração.

Nos Estados Unidos do pós-guerra, disseminou-se a cultura entre os casais que protagonizariam o baby boom dos anos 1950 de cuidar de suas próprias casas. Um costume que não existia antes da industrialização do país, herança dos tempos da escravidão. Isso não foi nenhum flagelo. Ao contrário, em lugar de lançar hordas de ascendentes de escravos para as sarjetas das grandes cidades, a ausência do serviço doméstico terceirizado empurrou-os para novas oportunidades de emprego, ajudando a formar um capitalismo socialmente democratizado. à€ exceção da nobreza, nunca na Europa moderna houve o costume de presença de empregados nos lares. Algo igualmente inadmissível no Japão, à  exceção dos samurais do atípico feudalismo local.

No Brasil, praticamente toda a classe média tem empregados domésticos, quer sejam diaristas ou celetistas. As carteiras de trabalho deles estão assinadas há muito tempo. A revolução ao contrário propalada por Veja simplesmente não tem base para existir. Não se quebra um costume cultural e social, tão arraigado, de uma hora para outra, ao sabor da disseminação de temores. O que poderá haver, entre patrões e empregados domésticos, serão ajustes para melhor nas relações do dia a dia de trabalho, com mais respeito aos direitos e deveres de uns e outros.

E além do mais, que mal há em lavar o próprio prato em que se comeu?

12 Comentários

Os comentários não representam a opinião do Blog do Esmael; a responsabilidade é do autor da mensagem, sujeito à legislação brasileira.

  1. Cada país tem os governantes que merece mesmo.
    Se não fosse a mídia que vocês tanto criticam, e as pessoas que estudam, lêem e entendem, teríamos virado Argentina, Venezuela e Cuba.
    Parem de reclamar da zelite, estudem, evoluam, aprendam a ler e entender, ou mudem para um desses países, onde podem colaborar com os excelentes regimes democráticos, incentivando a mediocridade, o assistencialismo barato, a corrupção, e a igualdade nivelada por baixo.

  2. Fala Serio, Prof Natal você esta ficando chato!

  3. *- GRANDE JORGE BERNARDI!!!

    *- só dou bola para pessoas do meu nível ou superior!!!
    Um abraço Bernardi…continue firme na paçoca!!!

    *-AS MULHERES BURGUESAS ESTÃO ENGORDANDO DEMAIS… NÃO POSSO VÊ-LAS NUAS!!!! SEMPRE SINTO ANSIA! VAMOS TRABALHAR… TRABALHAR…

  4. Tenho empregada em casa e não vejo os serviços dela como escravo, nem humilhante. Achar que limpar uma casa, cuidar de crianças e cozinhar é humilhante é por si só preconceituoso. Para mim, a pessoa que faz os serviços domésticos na minha casa é necessária, assim como um médico, um arquiteto, um dentista, um cozinheiro o é no momento em que eu preciso daquele serviço que ele me presta. E da mesma forma, o serviço deve ser devidamente remunerado e com todos os direitos trabalhistas respeitados, claro.

  5. Hoje é mais fácil para eu enxergar as várias facetas desta revista asquerosa. Quando era criança, adolescente ficava impressionadíssimo com estas capas, achando que a revista estava sempre acima do bem e do mal. Como é bom você instruir-se e poder analisar o que é verdade ou mentira em um veículo de comunicação ou algo do gênero.

  6. AS madames da burguesia q vao lavar roupas… esfolem suas barrigas nos tanques de cimento,queimem suas barrigonas nos fogoes, q cuide de suas crianças, limpem as cacacas deles ,limpem bem suas casa, seus banheiros,limpem suas cacacas, elarguem mao de fazer as empregadas domesticas de escravas, pois o tempo da escravidao ja acabou, a quase um seculo!!
    Mas se por ventura valorizarem as trabalhadoras[res] domesticas com todos os seu direitos trabalhistas… Fundo de garantia,décimo terceiro, ferias, etc??!! E SEJAM FELIZES DONAS MADAMES DA BURGUESIA!!! AO CONTRARIO, OU SEJA, Ñ RESPEITANDO OS DIREITOS TRABALHISTAS DELAS[LES], SE EXPRODAM!!HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH.

  7. Não são só os trabalhadores domésticos que são tratados como lixo no Brasil. É só ver o que ganha um vendedor do comércio (não das elites), um atendente de lanchonete, uma auxiliar de limpeza terceirizada por grandes empresas, um entregador de mercadorias dos grandes atacadistas e lojistas, uma balconista de padaria, uma caixa dos grandes hipermercados, etc…
    E muitos destes trabalham inclusive nos finais de semana.
    Há muito mais empregos com salários miseráveis – 680 – 700 – 800 – 900 reais… Pesquisem nos sites de empregos e confiram.
    Se o cara pagar aluguel… tá frito…
    E ainda são cheios de exigências.
    Se os empresários deste país já são verdadeiros senhores do engenho, imagine uma patroa e um patrão egoístas.

  8. Esmael, peça ao PROF NATAL, não ficar usando linhas vazias e não escrever em Caixa Alta, Ninguem que lê seu Blog é cego, E se ele quer Gritar… QUe grite em casa.

  9. Como dizia Brizola. Numa hipotética guerra entre Brasil e EUA a Veja ficaria do lado dos americanos. Esta e a veja sempre contra os brasileiros mais humildes.

  10. Quem escreve as matérias de VEJA são membros da classe média alta, gente que foi afetada pela medida. Agora direito trabalhista tem que ser o mesmo para todas as classes de trabalhadores, inclusive deveriam acabar as aposentadorias especiais do serviço público. Todo mundo igual, com seguro desemprego, FGTS, e mesma regra de aposentadoria; quem quiser algo melhor que pague previdência privada. Fica justo para todos os cidadãos do país e o contribuinte não precisa custear a vida boa de ninguém.
    Agora o pessoal do serviço doméstico deveria passar por cursos de capacitação e ser aproveitado na indústria, no comércio, na área de prestação de serviços. Esse tipo de ocupação não gera riqueza pro país, portanto deveria ser uma atividade proibida. Que cada um limpe a sua própria sujeira…

  11. *- A “FAMOSA” REVISTA ATINGIU SEUS OBJETIVOS!!!

    *- ELA QUE QUERIA QUE ‘NÓS’ TROUXAS FICASSEMOS DESCABELANDO E DISCUTINDO UM TEMA QUE ELA LEVANTOU…

    *-NÃO VOU PERDER TEMPO COM UMA REVISTA COMERCIAL DESTA!!!!

    CHEGA!!!

  12. *-PARADIGMAS FORAM FEITOS PARA SE QUEBRAR!!!
    *-Principalmente no nordeste existe uma escravidão (de todas as matizes) velado; usam principalmente meninos para às lidas domesticas;

    *-Com a mudança da economia brasileira, o capitalismo tirou a mulher do lar…e colocou outra no lugar , a chamda doméstica; alguns hipócritamente chamam-na de “Secretária do Lar”.

    *- Conheço uma que trabalha há 27 anos numa casa e somente há pouco tempo assinaram a carteira dela.

    *-QUEM FINGE QUE É CLASSE MÉDIA, TEM QUE ARCAR COM O ÔNUS DA CLASSE BURGUESA!!!