Em Londrina, ex-secretária de Educação acusa Barbosa Neto de ter recebido propina

por Edson Ferreira e Loriane Comeli, via Folha de Londrina

Barbosa Neto (PDT).
A ex-secretária de Educação de Londrina Karin Sabec Viana acusou o ex-prefeito Barbosa Neto (PDT) de ter recebido pelo menos R$ 60 mil de propina de José Lemes, representante da empresa G8, que forneceu uniformes escolares para a prefeitura em 2011 e 2012. Lemes foi preso na última terça-feira em decorrência de investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que começou há dois meses. O ex-prefeito é um dos investigados no inquérito que levou à  prisão mais duas pessoas e resultou no afastamento do ex-secretário de Gestão Pública Fábio Reali. Depois da cassação de Barbosa, a investigação, que estava no Tribunal de Justiça (em razão do foro privilegiado), voltou a Londrina.

Segundo o depoimento de Karin ao Gaeco, prestado no dia 3 de julho, José Lemes teria repassado um envelope com R$ 50 mil para que ela entregasse a Barbosa. Seria propina relativa ao contrato de 2011. ”Posteriormente a depoente questionou José Lemes e ele respondeu que teria o valor de R$ 50 mil destinado ao prefeito para pagar saldo de despesas de campanha”, diz trecho do inquérito.

A ex-secretária vai adiante: ”O proprietário da empresa G8, Marcos Ramos, chegou a mencionar à  declarante que nas contratações com a Prefeitura de Londrina, 12% do valor do contrato seria repassado ao prefeito Barbosa Neto e 5% do valor do cantrato para o secretário de Educação, porém, como a declarante não estaria recebendo a parte dela, o prefeito estaria recebendo os 17%, perfazendo o montante total de R$ 60 mil”. Karin também declarou aos promotores que Ramos lhe confidenciou que Barbosa teria ido a Boituva (SP) com Marco Cito para encontrá-lo ”a fim de buscar um valor maior” para ”acertar” com os vereadores e ”resolver o caso da Centronic”.

Em mais de doze páginas de depoimentos, ela também afirmou que as licitações eram propositalmente deixadas para a última hora para que o município pudesse firmar contratos emergenciais, escolhendo determinadas pessoas ou empresas. Em outros casos, as licitações eram direcionadas, ”inclusive com a retirada ou substituição de documentos”. Segundo ela, isso aconteceria com ”praticamente a totalidade dos procedimentos licitatórios”.

Lindomar dos Santos

Karin Sabec disse ainda que o dono da G8 também lhe confidenciou ter pago R$ 150 mil ao então secretário de Fazenda, Lindomar Mota dos Santos, que deixou a pasta em 2011 e voltou a ocupar a pasta no governo atual, de Joaquim Ribeiro (PSC). O montante seria para conseguir liberar a última parcela do contrato firmado em 2011.

Santos disse que está ”tranquilo” quanto à s declarações de Karin Sabec. ”Não vi essas declarações, mas pelo que você está me dizendo posso garantir que nunca houve essa de segurar pagamento para ganhar comissão, em hipótese alguma.”

A retenção da parcela teria ocorrido por problemas verificados pelos técnicos do município, mas o secretário não tinha em mãos os valores nem quais problemas foram verificados na época. Ele reconheceu, porém, ter se encontrado na prefeitura com o representante da G8, José Lemes. ”Falei com ele na presença do meu assessor.” Para Lindomar, a presença de fornecedores buscando liberação de pagamentos na administração é ”natural”.

Karin Sabec (PR) é candidata a vereadora pela coligação ”Um Novo Caminho para Londrina”, formada pelas siglas PR, PRB e PP, partido de Marcelo Belinati, que disputa a prefeitura. Barbosa Neto também disputa a prefeitura pelo PDT.

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