Por Esmael Morais

OAB-MG leva morte de JK à  Comissão da Verdade

Publicado em 20/05/2012

Agora, a OAB-MG quer que o caso seja devidamente esclarecido. O Estado teve acesso à s 2.629 páginas que compõem o processo com a investigação da morte e que serão encaminhadas à  Comissão da Verdade. E são nessas páginas que estão diversos “furos” dos responsáveis pelas investigações, segundo o advogado William Santos, da comissão de direitos humanos da OAB-MG. “Queremos que seja tudo refeito. Vamos mandar o processo e outras peças para mostrar a farsa.”

Entre as peças estará um depoimento do secretário particular e amigo de JK, Serafim Jardim, de 76 anos. Ele recebeu o Estado em seu escritório em Belo Horizonte e, logo de início, também classificou a investigação sobre o acidente uma “farsa total”. Depois de 20 anos de luta, Jardim conseguiu, em 1996, que o caso fosse reaberto, mas a nova investigação chegou à  mesma conclusão da apuração original.

Fragmento de metal. Porém, um laudo feito a partir da exumação do corpo de Geraldo no Cemitério da Saudade, em Belo Horizonte, revelou um fragmento de metal “de forma cilindro-cônica, medindo sete milímetros de comprimento e diâmetro médio de dois centímetros” no crânio do motorista. A exumação foi feita no Instituto Médico Legal (IML) da capital mineira, mas a Polícia Civil descartou a possibilidade de o fragmento ser de um projétil. “Disseram que era prego de caixão”, comentou Jardim.

A OAB afirma ainda que os responsáveis pelas investigações colheram o depoimento de apenas nove passageiros do ônibus – e nenhum deles confirmou a versão da colisão com o Opala -, sendo que havia 33 pessoas no veículo além do motorista. As fotos dos corpos do presidente e do motorista também desapareceram da documentação, diz a entidade. “Esse processo é uma incoerência do início ao fim”, avalia Santos. Ele lembra que um eventual crime que tenha ocorrido já está prescrito desde 1996, mas salienta que o caso precisa ser esclarecido. Jardim diz que deposita na comissão a esperança de “corrigir a história”. Os delegados responsáveis pelas ivestigações não foram localizados.