Collor diz que Gurgel fez ‘ameaça velada’ a parlamentares

Gurgel cumprimenta Demóstenes após ser reconduzido ao cargo.

Autor do requerimento que pede a convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o senador Fernando Collor (PTB-AL), afirmou na tarde desta segunda-feira (14) que o procurador-geral fez uma espécie de “ameaça velada” aos parlamentares.

Parlamentares integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), criada para investigar as relações do bicheiro Carlos Cachoeira com políticos e empresários, defendem a convocação do procurador pela comissão, sob o argumento de que, em 2009, ele não tomou providências ao receber o inquérito da Operação Vegas, que investigava prática de jogo ilegal.

Na semana passada, Gurgel manifestou que os ataques que recebeu seriam resultado de um “medo do julgamento do mensalão” por “réus e protetores dos réus”. Collor afirmou que causou “estranheza” as declarações do procurador.

“Causou-me estranheza o relato feito pelo procurador a alguns parlamentares, em visitas recentes, de alguns casos fortuitos de natureza política, numa espécie de ameaça velada a alguns congressistas, o que é inaceitável. Após o depoimento do delegado Raul Alexandre Marques Souza, da Operação Vegas, trouxe ainda mais duvidosa a posição do procurador geral de arquivar o processo”, disse Collor.

O G1 procurou a Procuradoria da República para saber se Gurgel quer se manifestar, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.

Requerimento

O presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), afirmou na última sexta-feira (11) que a comissão votará na próxima quinta-feira (17) a possível convocação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, para prestar depoimento à  comissão.

Gurgel já afirmou que não irá à  CPI porque, se fizer isso, passará à  condição de testemunha e não poderá mais atuar no caso como procurador. Ele argumenta que não adotou providências em 2009 para não atrapalhar a investigação da Polícia Federal e que isso favoreceu a prisão de Cachoeira neste ano.

Segundo o G1 apurou, a decisão final sobre o pedido dos parlamentares para que Gurgel preste depoimento na CPI do Cachoeira poderá ser do Supremo Tribunal Federal.

3 Comentários

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  1. Em 1964 foi assim também,o judiciario pressionou os parlamentares brasileiros . Cassando e caçando os que não concordaravam com a elite….

  2. Saiu nota da PF http://www.dpf.gov.br/agencia/noticias/nota-a-imprensa-operacoes-vegas-e-monte-carlo

    NOTA À IMPRENSA – Operações Vegas e Monte Carlo

    14/05/2012

    A respeito das Operações Vegas e Monte Carlo, a Polícia Federal esclarece que:

    1 ““ A Operação Vegas teve início em março de 2008 em virtude do vazamento de informações sobre a deflagração de uma operação policial e da tentativa de cooptação de um policial federal da Superintendência Regional em Goiás por membros de organização criminosa;

    2 ““ A Polícia Federal encaminhou os autos da Operação Vegas à PGR em setembro de 2009 a partir de decisão do juiz federal de Anápolis/GO para que fosse avaliado, pelo juízo competente, o conteúdo da investigação, cujos fatos se relacionavam com pessoas que possuíam prerrogativa de função;

    3 – Ocorreram três reuniões entre o delegado Raul Alexandre Marques Sousa e a Subprocuradora da República Cláudia Sampaio. As duas primeiras tiveram como objetivo a apresentação da operação policial e o encaminhamento dos autos à Subprocuradora. O último encontro se deu em outubro, quando a Subprocuradora informou não haver elementos suficientes para a instauração de investigação no STF e que opinaria pelo retorno dos autos ao juízo de primeiro grau;

    4 – O delegado Raul Alexandre não pediu à Subprocuradora Cláudia Sampaio o arquivamento ou o não envio da Operação Vegas ao STF;

    5 ““ A Operação Monte Carlo foi iniciada em novembro de 2010 a partir do requerimento de três promotores de justiça de Valparaíso/GO para apurar a exploração ilegal de jogos no entorno sul de Brasília/DF. Após o cumprimento dos mandados judiciais de prisão e busca e apreensão, o juízo da 11ª Vara Federal de Goiânia/GO determinou a remessa à Procuradoria Geral da República das informações relativas a pessoas com prerrogativa de função para análise da autoridade competente