Professor diz que levou “safanões” em protesto no Palácio Iguaçu

Professor Douglas Rezende.

O professor de História Douglas Rezende enviou um e-mail ao blog denunciando que ontem, durante a marcha da categoria, levou uns safanões da segurança do Palácio Iguaçu. Segundo relato dele, que estava documentando a manifestação, o chefe da segurança lhe passou uma rasteira lançando-o ao chão.

Tira a câmera dele, tira a câmera dele…!, teria gritado o segurança.

“Os meus gritos tinham chamado a atenção dos dirigentes no caminhão de som. Saí correndo atordoado, com braço esquerdo sangrando e a perna esquerda machucada”, relatou o professor de História.

Leia a íntegra da denúncia do professor Douglas Rezende:

“Venho através desta informar aos meus irmãos e irmãs, amigos e amigas da profissão PROFESSOR no Estado do Paraná, o fato lamentável e grotesco ocorrido em nossa mobilização do dia 15/03/02.

Sou o Professor Douglas Rezende, professor historiador e fotodocumentarista.

Após o término de nossa caminhada até o Palácio Iguaçú, subi a rampa e comecei a fazer fotos do local, do prédio e do que estava em seu contexto, quando o chefe da segurança presente perguntou-me: quem é você ?! Respondi que era professor, que pertencia a educação no Paraná e continuei a clicar. Voltei até o início da rampa para fotografar a chegada dos professores e percebi que os seguranças tentavam fazer um cordão de isolamento, impedindo que os professores alcançassem o prédio.

Foi neste exato momento que o caminhão de som terminou de subir a rua e ficou de frente ao Palácio, os dirigentes no caminhão de som chegaram a comentar a situação de aparente! isolamento do Palácio pelos seguranças ao microfone, meio que não acreditando que o governo faria este tipo de coisa, então, calmamente os professores que estavam mais à  frente ignoraram os seguranças e foram subindo a rampa com estes nas escadas observando, completamente perdidos, em uma total indecisão de barrar ou não aquele povo todo subindo calmamente as escadas até a entrada do prédio.

Fui um dos primeiros a chegar à  lateral do prédio, continuei a fotografar, agora com muito mais gente seguindo um pouco atras de mim. Neste momento, o chefe da segurança e pelo menos mais 2 seguranças vieram ao meu encontro, o chefe à  direita, os outros pela esquerda, não parei de clicar a máquina, então o chefe me passou uma rasteira!, me lançou ao chão e disse para os outros: Tira a câmera dele, tira a câmera dele…!, no susto, percebi que o caminhão de som estava próximo e gritei desesperado para que os dirigentes da APP estadual vissem o que estava acontecendo. Os seguranças e o chefe acabaram me largando ao perceberem que não tomariam minha câmera sem pouco esforço e que meus gritos tinham chamado a atenção dos dirigentes no caminhão de som. Saí correndo atordoado, com braço esquerdo sangrando e a perna esquerda machucada.

Tive escoriações no braço e perna, me senti humilhado sendo professor e tratado como um marginal pelos seguranças do governo na frente de milhares de pessoas, isto porque eu estava ali DEFENDENDO A EFETIVIDADE DE UM DIREITO Jà ESTABELECIDO EM LEI !!!

Se é para jogar ao chão um Fora da lei! os seguranças deveriam jogar ao chão o governador do Paraná, Beto Richa, que não está cumprindo a Lei do Piso e dos 33% de hora atividade aos professores, não um professor que tem dedicado seus últimos 8 anos de vida à  educação pública do Paraná.

Hoje à  noite o Secretário de educação Flávio Arns veio à  Televisão Educativa do Paraná falar em um jornal em que NàƒO FOI VINCULADA NENHUMA IMAGEM DE NOSSA MOBILIZAà‡àƒO NESTE DIA 15/03 EM QUE MAIS DE 7000 PROFESSORES ESTAVAM PRESENTES INCLUSIVE COM O MOTE GREVE! SENDO PALAVRA DE ORDEM PARA A MAIORIA. Arns afirmou que a educação no Paraná volta a ser uma carreira atrativa! e que quer resolver tudo no diálogo!, na busca de ações conjuntas! para enfrentar os problemas da educação em nosso Estado.

Meu exame de Corpo de Delito e o Boletim de Ocorrência expressam outras palavras do governador Beto Richa e de seu Vice Flávio Arns, palavras que apenas podem ser lidas nas entrelinhas, e que de forma alguma parecem ter relação com as palavras bonitas ditas à  cima. Quanto a carreira voltar a ser atrativa, mais de 7000 professores presentes neste protesto só em Curitiba, é a resposta.”

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