A carta de Gustavo Fruet (2)

Gustavo Fruet.

A semana política começa tensa no Paraná. Tudo porque se comenta que o ex-deputado federal Gustavo Fruet anunciará saída do PSDB na próxima quarta-feira (13).

Ainda não há pronunciamento oficial do moço sobre a despedida. Somente a torcida de correligionários, que defendem a imediata tomada de decisão do ainda tucano.

Amigos próximos a Gustavo afirmam que uma carta de despedida foi lavrada e que será lida em entrevista coletiva. Quem teve oportunidade de lê-la diz que a missiva é “emocionante, de encher os olhos de lágrimas”.

Gustavo Fruet ensaia deixar o PSDB desde o início do ano porque o governador Beto Richa, dono da bola, recusa-se a apoiá-lo na disputa pela prefeitura de Curitiba em 2012.

Richa tem clara preferência pela reeleição do prefeito aliado Luciano Ducci (PSDB).

O script seria mais ou menos esse, segundo correligionários do tucano enjeitado: 1- Fruet anuncia desfiliação do PSDB; 2- fica um período de “quarentena”, sem filiação; 3- negocia o ingresso no PDT; 4- assume a presidência do PDT na capital e do fundo partidário; e 5- teria liberdade para formar aliança, inclusive com o DEM.

Estariam na outra ponta da articulação os ministros Paulo Bernardo (Comunicações), Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Carlos Lupi (Trabalho), além do ex-senador Osmar Dias e do presidente em exercício do PDT em Curitiba, professor Wilson Picler, que já teria concordado entregar o comando da legenda a Fruet.

Essa movimentação não é nova, é verdade. Vem sendo costurada há mais de um mês. Perdeu força na última quinzena, mas voltou ganhar musculatura neste final de semana. Eu, particularmente, adepto de São Tomé, só acredito vendo.

Suponhamos que isso tudo se concretize nesta semana, vire realidade. A jogada colocaria em risco não só a reeleição de Ducci à  prefeitura como também a do governador Beto Richa em 2014.

O diabo é que essa insinuação de Fruet para o campo político de Dilma e Gleisi, no Paraná, igualmente tem servido pare ele como combustível para negociar melhores termos para continuar no ninho. Não se sabe ao certo como terminará essa história, esse jogo duplo.

As idas e vindas do ex-deputado federal, que sonha chegar à  prefeitura da capital, vem gerando desconfortos e desconfianças em todas as bandas, a estibordo e a bombordo.

Não se ouviu, por exemplo, um pio de Fruet nesses últimos meses sobre os governos de Ducci e Richa. Não houve demarcação de campo que sinalize ruptura política. Parece sem vontade de guerrear no próprio ninho. Pode ser que ainda mude. Pode ser. Só acredito vendo, inclusive a carta.

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