União Brasil e Progressistas (PP) oficializaram nesta terça (19) a superfederação União Progressista. O bloco reúne 109 deputados, 14 senadores, seis governadores e R$ 1,15 bilhão em recursos públicos, consolidando cerca de 20% do Congresso. O movimento reforça a esperteza do Centrão em jogar nas duas pontas.
A União Progressista nasce com números robustos: 109 deputados federais, 14 senadores, seis governadores e 1.400 prefeitos. Além disso, terá a maior fatia do fundo partidário e eleitoral, somando R$ 1,15 bilhão.
A nova força se torna a maior do Congresso, com capacidade de travar ou acelerar pautas. Não é à toa que parte da mídia chamou o bloco de “superfederação”.
Ministros no governo Lula e o jogo de cena
Apesar dos discursos inflamados de oposição, União e PP mantêm ministérios estratégicos no governo Lula (PT), além de cargos e estruturas gordas em estatais e autarquias. O Planalto, como o Blog do Esmael já mostrou, opera há tempos em sintonia com os dois partidos, que seguem mordendo e assoprando conforme o cenário político. A fala de Ciro Nogueira (PP-PI), prometendo desembarque rápido do governo, é apenas retórica para consumo externo.
O Centrão joga com o relógio
Por trás do lançamento da federação está a velha esperteza do Centrão: levar vantagem nas duas pontas até 4 de abril de 2026, prazo das desincompatibilizações. Até lá, União e PP desfrutam da máquina federal, enquanto projetam candidaturas estaduais e alianças sem romper com o governo.
A maré contra a oposição
O maior nome da oposição seria Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), mas o governador recuou de uma candidatura presidencial diante da melhora da aprovação de Lula e da pressão do PSD de Gilberto Kassab para disputar a reeleição em São Paulo. Sem alternativa competitiva, a superfederação não deve lançar candidato próprio ao Planalto em 2026, nem apoiar abertamente a oposição. Em vários estados, União e PP dividem palanques com petistas e aliados.
Moral da história: tudo como dantes
A criação da União Progressista chama atenção pelo tamanho e pelos recursos, mas não altera a lógica do jogo. O Centrão continuará como sempre: governista e oposicionista ao mesmo tempo, mordendo e assoprando de acordo com a conveniência. No fim, tudo segue como dantes no quartel de Abrantes.
Portanto, prevalecerá aquela lógica: se hay gobierno, soy a favor!

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




