Docentes defendem reajuste em três parcelas de 7,06% (em 2024, 2025 e 2026), enquanto governo oferece zero este ano
A Universidade Federal do Paraná (UFPR) emitiu uma declaração oficial em resposta à decisão democrática tomada pela assembleia dos docentes, organizada pela Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR). A instituição demonstra respeito pelas deliberações feitas pela categoria docente, que ocorreram de maneira democrática e por maioria de votos. Além disso, reconhece o direito de greve dos servidores das instituições federais de ensino superior brasileiras.
A assembleia conduzida pela APUFPR aconteceu no auditório do Setor de Tecnologia, no Centro Politécnico, em 09 de abril. Durante a votação presencial, os docentes decidiram iniciar a greve a partir de 15 de abril. A decisão foi expressa com 322 votos favoráveis, 175 contrários e 5 abstenções.
Adicionalmente, foi aprovado o estado de Assembleia Permanente, com o objetivo de convocar novas assembleias de forma mais ágil, permitindo a avaliação do movimento de acordo com as mudanças na conjuntura nacional. A primeira reunião do Comando de Greve está agendada para 15 de abril, de forma híbrida, na sede da APUFPR em Curitiba e em outras sedes.
A greve dos docentes das universidades federais tem suas bases na necessidade de recuperar o orçamento das instituições. Entre as reivindicações, destacam-se o pedido por reajuste salarial para compensar as perdas ocorridas desde o governo Temer até o final do atual mandato, bem como a revogação do projeto de Reforma Administrativa (PEC 32) e a equiparação dos benefícios com os demais Poderes.
O conjunto do funcionalismo federal vem defendendo uma proposta de reajuste salarial de três parcelas de 7,06% (em 2024, 2025 e 2026) para o grupo de servidores no qual se enquadram os docentes das Ifes. Os valores seriam suficientes para repor as perdas desde o governo Temer até o final do atual governo.
A proposta do governo até agora é de 0% em 2024 e duas parcelas de 4,5% em 2025 e 2026.
De acordo com a APUFPR (Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná) também a necessidade de recuperar o orçamento das universidades federais, pois todas receberam valores inferiores ao necessário para manter o patamar de despesas por matrícula (2010 a 2022). Além disso, as negociações específicas sobre a reestruturação da carreira dos docentes federais não avançaram, assim como as pautas específicas, que ainda não começaram a ser debatidas (o MEC não atendeu as solicitações de reunião com o ANDES).
Outra reivindicação não atendida – e que motiva a greve – é a equiparação dos benefícios com os demais Poderes. O aumento de R$ 658,00 para R$ 1 mil no vale-alimentação não contempla aposentados e pensionistas. O mesmo acontece com o auxílio-creche, que passaria de R$ 321 para R$ 484,90.
O governo marcou para esta quarta-feira (10/4) uma reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente (MNNP), com dirigentes de entidades que representam mais de 80% do funcionalismo federal, inclusive os docentes.
A UFPR reitera seu compromisso com a valorização dos profissionais da educação. Além disso, reafirma sua disposição para o diálogo e o entendimento, sempre visando à defesa das universidades públicas e à melhoria da qualidade do ensino, pesquisa e extensão.
Com base nas informações fornecidas pelo site da APUFPR, a UFPR expressa sua postura de respeito às decisões democráticas dos docentes e sua busca contínua pela promoção do ambiente educacional e da valorização dos profissionais que o compõem.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




