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Trump ataca STF e cobra: “Deixem Bolsonaro em paz”, alerta crise Brasil-EUA

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escalou o tom contra as instituições brasileiras nesta segunda-feira (7) e saiu em defesa explícita do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), réu no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. Em post na rede Truth Social, Trump acusou o Brasil de promover uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro e cobrou: “O único julgamento que deve acontecer é o julgamento nas urnas. Deixem Bolsonaro em paz!”.

A declaração pública reacendeu o temor de crise diplomática entre Brasília e Washington, num momento em que o governo Lula já avalia medidas de retaliação caso a Casa Branca adote sanções ou represálias contra o STF ou autoridades brasileiras.

Trump repete roteiro de apoio a extremistas

No texto, Trump afirmou que acompanha “de perto” o que chamou de perseguição a Bolsonaro, sua família e apoiadores. “O Brasil está fazendo uma coisa terrível no tratamento ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele não tem culpa de nada, exceto de ter lutado pelo povo. Conheci Jair Bolsonaro, ele era um líder forte, que amava seu país e era um negociador duro em comércio”, escreveu o presidente americano.

A retórica de Trump repete o mesmo movimento feito em defesa de outros aliados da extrema-direita global, como o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também alvo de investigações e processos em seu país.

O presidente americano disse ainda que a eleição de Lula em 2022 foi “muito apertada” e alegou que Bolsonaro “lidera as pesquisas”, ignorando o fato de o ex-presidente estar inelegível até 2030, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após ser condenado por abuso de poder político e ataques sem provas ao sistema eleitoral.

STF, Moraes e redes sociais no centro do conflito

Bolsonaro frente a frente com Moraes e Gonet. Foto Antonio Augusto STF
Bolsonaro frente a frente com Moraes e Gonet. Foto Antonio Augusto STF

O ataque de Trump acontece em meio a uma escalada de tensões entre seu governo e o ministro Alexandre de Moraes, relator das ações contra Bolsonaro no STF. No mês passado, a empresa Trump Media, em parceria com a Rumble, acionou formalmente a Justiça americana contra Moraes, acusando o magistrado de perseguição política e censura.

As acusações miram diretamente decisões do STF que atingiram plataformas digitais, incluindo a suspensão do X (antigo Twitter) no Brasil em 2024 por descumprimento de ordens judiciais. Parlamentares aliados de Trump nos EUA, como o senador Marco Rubio, já ameaçaram sanções contra Moraes, baseados na Lei Global Magnitsky, que prevê punições por violações de direitos.

A nova ofensiva de Trump, agora em tom presidencial, aprofunda o desgaste diplomático e pode colocar em rota de colisão dois governos que, historicamente, mantiveram relação próxima, mesmo durante períodos críticos, como a ditadura militar.

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Planalto vê risco de crise inédita e avalia recuo estratégico

Fontes do alto escalão no Itamaraty e no Palácio do Planalto admitem que o governo Lula monitora o caso com preocupação. Uma das medidas avaliadas é a convocação da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti, como forma de protesto diplomático.

A retirada temporária da representante brasileira seria um recado político duro, que não ocorreu nem nos anos mais críticos de atrito bilateral. No entanto, o Planalto ainda hesita em “gastar todos os cartuchos” caso as declarações de Trump se limitem a retórica e não se concretizem em sanções.

Nos bastidores, o governo Lula traçou “linhas vermelhas” claras e já sinalizou a Washington que interferências diretas nas instituições brasileiras ou ingerência eleitoral em 2026 serão consideradas inaceitáveis.

Além disso, o Planalto enxerga as redes sociais e o ambiente digital como “área de conflito potencial” com os EUA, especialmente após o STF reforçar o papel das plataformas no combate à desinformação e a conteúdos antidemocráticos.

Trump joga gasolina no tabuleiro político brasileiro

A defesa pública de Bolsonaro por Donald Trump, além de representar um aceno à extrema-direita brasileira, tensiona o cenário político às vésperas do julgamento do ex-presidente no STF, previsto para o segundo semestre.

Enquanto Bolsonaro enfrenta acusações graves, incluindo tentativa de golpe, Trump transforma o processo judicial em palanque político e reforça o discurso de perseguição — estratégia que ele próprio adotou em sua trajetória.

O Brasil, por sua vez, precisa equilibrar firmeza institucional e diplomacia para evitar que a crise interna se converta em embate internacional. O próximo movimento, agora, está nas mãos da Casa Branca.