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Trump ressuscita Trudeau no Canadá e pode impulsionar Lula no Brasil

Na política, não há morto definitivo. Assim como nos filmes de ação, onde um vilão dado como morto reaparece na sequência seguinte, líderes políticos ressurgem das cinzas quando menos se espera. No Canadá, esse fenômeno se aplica diretamente ao primeiro-ministro Justin Trudeau, que parecia carta fora do baralho, mas encontrou uma inesperada tábua de salvação: Donald Trump.

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O presidente dos EUA, em sua conhecida retórica inflamada, sugeriu que os Estados Unidos poderiam assumir o controle do Canadá, alegando que o país não seria viável sem o comércio com os americanos. A ameaça provocou uma onda de nacionalismo entre os canadenses e, curiosamente, deu novo fôlego ao usinado governo liberal de Trudeau, que já era considerado derrotado na próxima eleição.

Trudeau estava acabado, mas Trump mudou o jogo

Até poucas semanas atrás, o cenário eleitoral canadense era desolador para os liberais. Pesquisas indicavam uma provável vitória esmagadora dos conservadores liderados por Pierre Poilievre, que surfava na insatisfação popular com o alto custo de vida e a controversa taxa de carbono. Tudo indicava que os eleitores dariam um recado duro a Trudeau nas urnas.

Entretanto, a interferência de Trump injetou um novo elemento no tabuleiro político. Desde suas declarações bombásticas, o Canadá viu um aumento no sentimento patriótico. Produtos com a frase “Canada Is Not For Sale” [O Canadá não está à venda, em português] viralizaram, torcedores vaiaram equipes esportivas americanas e Trudeau assumiu a postura de defensor da soberania nacional.

“Neste momento, precisamos nos unir porque amamos este país”, disse o primeiro-ministro canadense, explorando o sentimento de união contra o inimigo externo. A estratégia funcionou: pesquisas recentes apontam uma recuperação dos liberais e, pela primeira vez em meses, uma possível disputa acirrada.

Conservadores perdem vantagem e liberais voltam ao jogo

A ascensão conservadora de Poilievre era impulsionada pelo descontentamento com Trudeau. No entanto, a guinada no discurso eleitoral – antes centrado na rejeição ao líder liberal e agora deslocado para a questão Trump – pode ter mudado a dinâmica da eleição.

🔹 Pesquisas recentes indicam queda de até 12 pontos no apoio aos conservadores.

🔹 No campo de batalha de Ontário, os liberais aparecem empatados ou até liderando.

🔹 Se Mark Carney, ex-governador do Banco da Inglaterra, for indicado como líder liberal, a vantagem conservadora desaparece.

De acordo com uma pesquisa da IPSOS, os liberais conseguiram reverter parte da queda livre nas intenções de voto, e outro levantamento da Leger indica que um candidato alternativo a Trudeau pode ser o suficiente para virar o jogo.

Trump também pode ressuscitar adversários no Brasil?

O caso canadense traz um paralelo interessante para a política brasileira. Assim como Trudeau encontrou sobrevida em um embate contra Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode enfrentar um cenário similar, dependendo de como lidar com a tarifação do aço brasileiro imposta pelos Estados Unidos, deportações, e outras ingerências americanas.

As pesquisas para as eleições de 2026 mostram Lula favorito, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é removido da disputa. No entanto, o Palácio do Planalto teme o aumento da rejeição contra o petista.

Se o governo petista transformar o tema em uma bandeira de defesa da soberania nacional, pode obter um efeito político parecido com o de Trudeau. Afinal, nada une mais uma nação do que a percepção de um ataque externo.

A incógnita agora é se essa reviravolta será suficiente para salvar os liberais no Canadá ou se será apenas um suspiro antes da derrota. Para os conservadores, a saída será reformular sua abordagem, distanciando-se do impacto negativo das declarações de Trump e reposicionando a campanha para recuperar o terreno perdido.

Enquanto isso, no Brasil, os estrategistas políticos —liderados pelo ministro da SECOM Sidônio Palmeira— certamente acompanham de perto essa dinâmica, prontos para aprender lições valiosas sobre como a geopolítica pode alterar os rumos eleitorais nacionais.

Lula e Justin Trudeau. Foto: Ricardo Stuckert
Lula e Justin Trudeau. Foto: Ricardo Stuckert

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