Janela partidária, debandada no PL e manifesto de 215 prefeitos pró-Alexandre Curi ampliam a pressão sobre Ratinho Junior e já levantam suspeitas sobre o rumo final da sucessão.
O governador Ratinho Junior (PSD) abre esta segunda-feira (30) na fase mais sensível da sucessão paranaense. A janela partidária para deputados termina na sexta-feira (3), e parte dos prazos de desincompatibilização começa a contar já em 4 de abril. O problema para o Palácio Iguaçu é que o relógio avançou mais rápido que a definição do grupo governista sobre quem carregará esse projeto em 2026.
Ratinho entra nesta semana entre a cruz e a espada, no plano mais íntimo de um projeto familiar de poder, e também sob a Espada de Dâmocles da própria sucessão. Não esperava chegar tão depressa ao trecho final do mandato com a pretensão presidencial recolhida e o tempo político comprimido pela realidade. Agora, sua escolha pode lhe custar a cabeça no sentido político: se errar o nome do sucessor, racha o grupo; se acabar empurrando o Paraná para o projeto do senador Sergio Moro (PL), ficará refém de escrutínios do ex-juiz que tem ambições nacionais.
Muita gente trata esta semana como decisiva, e ela de fato é. Mas seria erro vender a sexta-feira (3) como ponto final da ansiedade política. O fechamento da janela partidária não encerra o drama dos pré-candidatos. Até as convenções no fim de julho e o registro das candidaturas no início de agosto, ainda haverá espaço para recuos, desistências, coligações de última hora e rearranjos que hoje parecem improváveis.
No Paraná, esse intervalo virou campo de batalha. A filiação do senador Sergio Moro ao PL, em Brasília, ao lado de Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, tirou a sucessão estadual da zona de conforto de Ratinho e jogou a disputa da direita para dentro do calendário imediato. O que era ruído de bastidor passou a funcionar como pressão concreta sobre o grupo do governador.
A crise se materializou nos municípios. Segundo a contagem do Blog do Esmael, 49 dos 53 prefeitos do PL no Paraná entraram em movimento de debandada após a chegada de Moro ao partido. Num ato em Curitiba, 48 prefeitos participaram da demonstração de rompimento puxada por Fernando Giacobo, sinalizando que a entrada do ex-juiz no PL não unificou a direita, ao contrário, abriu mais uma frente de conflito.
É nesse ambiente que Ratinho tenta reorganizar a própria tropa. A apuração mais recente do Blog do Esmael mostra que o afunilamento do governismo passou a girar em torno de dois nomes, o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (PSD), e o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD). Ao mesmo tempo, Rafael Greca já migrou para o MDB, e o risco de novas dispersões continua rondando a base.
Como confusão pouca é bobagem no quintal governista, há indícios de que o grupo de Ratinho procurou a jornalista Cristina Graeml (União) para tentar ressuscitar a pré-candidatura de Guto Silva (PSD), que foi abatida pelo método juvenil da renúncia presidencial do governador. O mundo político interpreta como reflexo do desespero, que tomou conta do Palácio Iguaçu neste final de feira.
O manifesto pró-Curi publicado no fim de semana elevou ainda mais a temperatura. Até a noite de domingo (29), o documento somava 215 assinaturas de prefeitos entre os 399 municípios do estado, um número pesado demais para ser tratado como gesto protocolar. Na prática, o texto empurra Ratinho para a escolha e tenta transformar a preferência por Curi em fato político antes da decisão formal do governador.
O dado central desta semana é esse: o calendário apertou, mas a indefinição não acaba com o fechamento da janela. Ela só muda de fase. Primeiro vêm as trocas partidárias e os afastamentos exigidos pela lei. Depois, chegam as convenções, os registros e a temporada das composições improváveis. No meio desse percurso, cada dia sem decisão custa mais para Ratinho, porque dá a Moro espaço para ocupar o vazio e vender a imagem de quem já entrou em campanha enquanto o governismo ainda discute quem será o herdeiro.
Ratinho ainda tem força para arbitrar a sucessão. O que já não tem é o benefício da demora. A semana começa decisiva, mas o verdadeiro teste do grupo governista será atravessar abril, chegar inteiro às convenções de julho e evitar que agosto encontre o Paraná com uma direita rachada e um candidato escolhido tarde demais.
Para muitos desconfiados, essa titubeante movimentação de Ratinho Júnior pode ser um jogo combinado com Moro. Ou seja, ele seguiria barrigando essa candidatura governista até agosto, quando, segundo esses céticos plantão, Ratinho anunciaria apoio ao seu suposto futuro algoz. Por isso, ainda de acordo com essa análise, a resistência a nomes como Alexandre Curi e Rafael Greca. A conferir.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




