26 de fevereiro de 2016
por Esmael Morais
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Polícia Federal irá investigar FHC por pagamentos a Mirian Dutra

via Brasil 247.

A Polícia Federal decidiu investigar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso por repasses feitos pelo tucano à sua ex-amante, Mirian Dutra, no exterior, entre 2002 e 2006.

Em entrevistas recentes à imprensa, a jornalista, que trabalhou 35 anos na TV Globo, revelou que FHC lhe pagava uma mesada por meio da empresa Brasif, que controlava free shops nos aeroportos brasileiros.

Segundo a jornalista, o tucano teria depositado US$ 100 mil na conta da Brasif, que repassava a ela mensalmente, em parcelas de US$ 3 mil, por meio de um contrato fictício de trabalho que nunca foi cumprido.

À época, Mirian vivia na Espanha com o filho Tomás. Pela Globo, ela também morou em Londres e em Lisboa, mas seu trabalho dificilmente era veiculado na emissora, como relatou em uma entrevista à revista Brazil com Z.

Em nota, a Brasif confirmou ter contratado a jornalista Mirian Dutra Schmidt, em 2002, mas negou participação do ex-presidente na contratação ou no depósito de dinheiro na conta da empresa para ser repassado a ela.

A empresa também disse que a contratação de Mirian foi uma indicação de Fernando Lemos, cunhado da jornalista. A nota informa que a Brasif Duty Free Shop e a Eurotrade Ltd foram vendidas em 2006.

A jornalista diz que Tomás é filho de FHC, mas dois exames de DNA deram resultado negativo. Nesta mesma entrevista, ela sugere que o ex-presidente possa ter comprado o exame e nega que o tucano tenha alguma vez reconhecido a paternidade, conforme já foi divulgado.

Nesta semana, deputados do PT e do PCdoB foram ao Ministério da Justiça apresentar formalmente um pedido de investigação sobre as denúncias de Mirian Dutra contra Fernando Henrique.

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22 de fevereiro de 2016
por Esmael Morais
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Coluna da Gleisi Hoffmann: Mirian Dutra, o fio da meada

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Gleisi Hoffmann*

À parte o drama pessoal, o fato é que o relato público de Mirian Dutra sobre sua relação com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, expõe uma intrincada relação entre interesses privados sustentados por favores públicos na era tucana do poder. Por isso, como diz o ditado popular, esse é apenas o fio da meada, que se puxado com vontade, desmancha todo o novelo.

Mirian foi contratada por uma empresa instalada nas Ilhas Cayman, um paraíso fiscal, a Eurotrade. Essa empresa pertencente à Brasif, grupo que operou por muitos anos os free shops no Brasil, lojas sem impostos para produtos estrangeiros. Importante anotar que essa exploração comercial, mesmo concentrando-se em aeroportos públicos, não foi licitada.

Mirian também alega que nunca trabalhou, apenas recebia da empresa e que o pagamento era feito com dinheiro ou a pedido do ex-presidente para complementar seu salário na Rede Globo, que havia sido reduzido depois que estava no exterior. Também informa que seu filho ganhou um apartamento do ex-presidente FHC na Espanha.

O ex-presidente nega que tenha enviado dinheiro à Brasif ou que tenha pedido para ela pagar Mirian. Nega também que o filho é seu por dois exames de DNA feitos com resultados negativos. Perguntas que não querem calar: por que dar um apartamento para alguém que não era seu filho? Por que ajudar a sustentá-lo? Qual a origem dos recursos do ex-presidente para comprar um apartamento desses, uma fazenda no interior de Minas e apartamento em Paris? Sociólogo e professor universitário, nunca constou que tinha recebido grande herança de família. Por que uma empresa com negócios no Brasil e bem relacionada com o poder contrata uma jornalista que não lhe entrega serviço algum?

Mirian continua e coloca seu cunhado e a irmã no caso. Segundo ela, a irmã, Margrit Dutra Schmidt era dona da Polimídia, uma empresa de lobby em sociedade com o marido, Fernando Lemos, que cresceu nos anos 90, com a venda de serviços de gestão de crise e era chamada de “a cunhadinha do Brasil”. Funcionária pública sem nenhuma expressão, tem um patrimônio muito grande. Só o terreno dela, em Trancoso, segundo Mirian, vale mais de 1 milhão de reais. Tem c Leia mais

11 de dezembro de 2015
por Esmael Morais
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Coluna do Bruno Meirinho: Um vice não tão decorativo assim

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Bruno Meirinho*

Nessa semana, fomos entretidos por uma série de episódios da crise política, que ganha contornos novelescos. Entre os episódios, a carta do vice, Michel Temer, à Dilma, que “vazou” para a imprensa.

Na carta, Michel Temer queixava-se de estar sendo “escanteado”, de não ter posições tão relevantes. Em síntese, Temer considerava-se um “vice decorativo”, utilizado tão somente para aplacar as crises do PMDB.

A carta, obviamente, foi apenas uma mise-en-scène de Temer para anunciar publicamente o movimento de distanciamento com a presidência, o que é muito útil para ele nesse momento de crise política.

Com as movimentações apressadas do presidente da câmara, que acolheu o pedido de impedimento de Dilma Rousseff, aceleram-se as articulações em torno de Temer, sucessor legal da presidência da república no caso de afastamento da titular.

E já há algum tempo, setores da oposição aproximam-se de Temer, visando o contexto do impeachment. Um dos mais recorrentes é José Serra, do PSDB de São Paulo, que vê no cenário atual um dejà vu de 1992, quando o hoje senador pelo PTB de Alagoas, Fernando Collor, foi apeado da presidência da república.

Serra planeja ser o ministro da fazenda, mesmo cargo ocupado por Fernando Henrique Cardoso no mandato de Itamar Franco, vice de Collor que concluiu os últimos anos de mandato. Depois da empreitada, FHC foi presidente da república por 8 anos. Se tudo der certo, o roteiro seria repetido com Serra.

Mas há alguns ponteiros a acertar. Será que alguém estaria disposto a assumir a presidência na atual crise econômica? Otimistas dizem que a crise política é a mais grave, e, se resolvida, haveria melhores resultados na economia.

Estes mencionam até a queda do dólar na mesma semana em que Eduardo Cunha dera início ao trâmite do processo de impeachment, mas esquecem de comentar que a moeda americana já vinha em queda algum tempo antes, e que Leia mais

20 de novembro de 2015
por Esmael Morais
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A lama da “privataria tucana” em Minas ainda não assentou

Passadas duas semanas da tragédia humana e ambiental causados por uma avalanche de lama no município de Mariana, em Minas Gerais, depois do rompimento de uma barragem, as reais dimensões desse crime e suas implicações políticas continuam incertas.

Como a bomba estourou sob os governos estadual (Pimentel) e federal (Dilma), ambos do PT, é quase inevitável que eles sejam identificados como corresponsáveis, além e claro da própria empresa, a Samarco.

Mas é preciso voltar um pouco na história para lançar luz sobre essa lama toda. Em 1997 a Cia. Vale do Rio Doce, antes uma mineradora estatal, foi privatizada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Várias denúncias e escândalos envolveram o processo de privatização não apenas da Vale, mas de inúmeros bens públicos no período, ficou conhecido como “privataria tucana”.

A Vale é dona da Samarco em sociedade com a mineradora australiana BHP Billiton. FHC não se contentou em vender a Vale a preço banana com financiamento do BNDES. Em 1996, com a Lei Kandir, ele isentou de ICMS as exportações de minérios.

Mas o crime da lama da Samarco também serviu para confirmar a tese da proibição do financiamento privado de campanhas. Pois onze dos 19 deputados federais  indicados pela Câmara para fazer parte de uma comissão externa para investigar a tragédia receberam doações de campanha da Vale.

Isso por si não é prova de que eles vão aliviar as responsabilidades da empresa. Mesmo por que o Ministério Público está atento e a questão vai para a Justiça, independente do que digam os deputados. Mas o conflito de interesses é gritante.

Lembramos também que a ambientalista de primeira hora, duas vezes candidata a presidente da república, Marina Silva (REDE), ainda não visitou a área atingida. Nas poucas declarações que deu até agora, ela foi contida e só lamentou o “desastre” e falou em mais precaução.

A questão do crime ambiental em Mariana é tão nebuloso quanto a cobertura pela mídia, haja vista o direito de resposta que a TV Globo (Jornal Nacional) fora obrigada conceder ao governador mineiro Fernado Pimentel —  uma semana depois de sancionada a Lei Requi Leia mais

30 de outubro de 2015
por Esmael Morais
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PCdoB leva ao ar programa de TV que petistas não tiveram (ainda) coragem de fazer; assista ao vídeo

pcdobA propaganda do PCdoB que foi ao ar pela TV na noite de ontem (29), em rede nacional, está tendo grande repercussão no meio político pela forte defesa que o partido fez do governo da presidenta Dilma Rousseff (PT). ... 

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24 de agosto de 2015
por Esmael Morais
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Coluna da Gleisi Hoffmann: FHC, o desejo de vingança no pedido de renúncia

Gleisi Hoffmann*

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Semana passada, o ex-presidente Fernando Henrique pediu que a presidenta Dilma tivesse grandeza e renunciasse a seu mandato. Segundo a mídia, fez isso para tentar unificar a oposição e seu partido e dar respostas aos movimentos de rua.

Como homem sensato e equilibrado, imagem que sempre procurou mostrar, ensaiou uma análise eloquente da fragilidade política da presidenta e dos grandes desafios do país para lançar sua proposta. Isso depois de ter dito, na semana anterior, que a presidenta era uma pessoa honrada.

Olhando longe da história recente, parece que FHC está de fato exercendo seu papel de dirigente oposicionista e querendo dar uma saída ao PSDB, já que o movimento por impeachment tem encontrado resistência de vários setores, inclusive de apoiadores do PSDB e de setores mais conservadores, como mostrou o posicionamento de Roberto Setúbal, presidente do Itaú/Unibanco, neste domingo.

Além de pedir que esquecessem o que escreveu, parece que FHC esqueceu também sua história. Em 1999, tal qual a presidenta hoje, vivia baixa popularidade, tinha crise econômica, dólar alto, escândalos das privatizações, das negociatas da reeleição, dos grampos do BNDES (nada investigado, tudo engavetado), movimento nas ruas e debate sobre pedido de impeachment e a palavra de ordem “fora FHC”. Também tinha ajuste fiscal pesado e o PMDB como partido aliado e fiador. O vice-presidente da República, Michel Temer, era presidente da Câmara dos Deputados. FHC só não era, por ser homem, tão xingado e desrespeitado como a presidenta Dilma o é por ser mulher.

Lembro isso para mostrar que já passamos por períodos semelhantes na nossa curta história democrática. Que a crise política e as dificuldades econômicas que estamos vivendo já foram enfrentadas em condições piores, inclusive. Mas também o faço para mostrar a falta de grandeza de uma liderança testada e vivida na lida do poder como FHC. Que já sentiu essa realidade e que, naquele momento, invocava a defesa da legalidade, o respeito ao estado de direito, a democracia para defender-se.

Se é verdade que o PT colocou gente nas ruas e fez movimento por impeachment, exagerou e pediu renúncia de FHC, também é verdade que o PSDB faz a mesma coisa agora. As manifestações que têm acontecido pelo país são partidárias sim, no sentido de ter lado, querer uma determinada política. Basta ver que dos que foram para a rua, quase 80% eram eleitores do PSDB.

Ter grandeza, presidente Fernando Henrique, é ter vivido uma situação e ter aprendido com ela. É compreender as dificuldades pelas quais passa uma presidenta, por já ter vivido momento semelhante, e não apostar contra o país, na sua instabilidade. Pedir a renúncia da presidenta Dilma apenas demonstra atitude de vingança e de apequenamento diante da história vivida.

Sair da vida pública com baixa aprovação popular é uma contingência do exercício do cargo e que a história poderá resgatar no futuro. Viver a experiência do poder maior de uma Nação e não aprender com ela para posicionar-se diante da vida, pode ser um problema de caráter.

*Gleisi Hoffmann é senadora da República pelo Paraná. Foi ministra-chefe da Casa Civil e diretora financeira da Itaipu Binacional. Escreve no Blog do Esmael às segundas-feiras.

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13 de agosto de 2015
por Esmael Morais
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Requião vai apresentar alternativa ao “Arrocho Levy” para recuperar a Petrobras e a economia; assista

requiaolevyO senador Roberto Requião (PMDB) anunciou nesta quinta-feira (13), em pronunciamento no Senado, que vai apresentar projetos de lei para que a Petrobras retome os investimentos e recupere toda a extensa cadeia econômica do petróleo, hoje em crise, em função da operação Lava Jato e dos cortes no orçamento da estatal. Veja o vídeo abaixo.

Ele lembrou que a Petrobras é responsável por parte substancial do PIB brasileiro e que sua paralisia afeta fortemente a economia nacional, já em recessão.

Segundo o senador, o Brasil amorteceu os efeitos da crise mundial que explodiu em 2008 quando o Tesouro Nacional liberou 100 bilhões de reais em 2009, e mais 80 bilhões de reais em 2010 para que fossem aplicados no setor produtivo. Graças a isso, em 2009, o Brasil cresceu mais de sete por cento, enquanto a Europa e os Estados Unidos amargavam números negativos.

A mesma coisa pode ser feita agora, argumentou o senador. Nesse sentido, ele vai apresentar projeto de lei ao Senado.

Requião comunicou também que vai propor a incidência de imposto de renda sobre lucros e dividendos, isentos por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o que permite à pequena parcela de brasileiros pagar menos imposto de renda que os assalariados. Esse imposto, lembrou, existe em todos os países civilizados. E caso existisse, arrecadaria boa parte do que o chamado “ajuste Levy” pretende amealhar, sacrificando principalmente os trabalhadores.

Veja  a seguir o pronunciamento do senador paranaense: Leia mais