Bolsonaro encurralado: STF retoma julgamento, Senado rejeita anistia e candidatura de Tarcísio balança
O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta terça-feira (9) o julgamento da trama golpista com a leitura do voto do ministro Alexandre de Moraes. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), apontado pela Procuradoria-Geral da República como líder da organização criminosa, pode receber a pena máxima.
Enquanto isso, no Senado, o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), declarou que não pautará a anistia, frustrando aliados de direita que ainda apostavam em um “atalho” para salvar o capitão.
A decisão política de Alencar acentua a contradição no campo da direita. De um lado, Bolsonaro pressiona para que sua base só apoie o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na corrida presidencial de 2026, mediante “pagamento antecipado”: uma sinalização clara de proteção jurídica ou anistia. Do outro, Tarcísio promete indulto se eleito para o Planalto, mas o cenário é de incerteza.
O problema é que a Faria Lima, endereço da elite financeira e midiática, apoia Tarcísio contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026, mas defende em 90% dos casos a condenação e prisão de Bolsonaro. A equação é explosiva: como conciliar o “mercado” que rejeita o ex-presidente com a base bolsonarista que ainda serve de trampolim eleitoral?
Soma-se a isso a frieza da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao governador paulista, que amarga uma relação de desconfiança com o clã. A cena de Tarcísio pagando “vale” ao pastor Silas Malafaia, na manifestação do 7 de Setembro na Avenida Paulista, marcada pela enorme bandeira dos Estados Unidos hasteada como símbolo de submissão da extrema direita, reforçou a leitura de que ele ainda não conquistou espaço próprio na engrenagem bolsonarista.
É neste ambiente de pressões cruzadas que Moraes deve apresentar voto duro no STF, podendo pedir a pena mais alta para Bolsonaro e demais réus. A sessão de julgamento promete durar horas e deve servir como termômetro para o futuro da direita.
O desfecho desta semana pode redefinir os rumos da sucessão presidencial. Se Bolsonaro for condenado e abandonado pelo Senado, Tarcísio verá sua candidatura “subir no telhado”, refém de um padrinho político que cobra caro pelo apoio, mas que a oligarquia financeira já não quer mais bancar.
[No fundo, é o dilema da direita brasileira: ou rompe com Bolsonaro para agradar a Faria Lima e tentar enfrentar Lula em 2026, ou segue com o capitão rumo a um naufrágio anunciado.]
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Acompanhe a sessão do STF ao vivo:

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




