O governador Ratinho Junior (PSD) escolheu o deputado federal Sandro Alex (PSD) para tentar segurar o Palácio Iguaçu em 2026, mas o roteiro da disputa no Paraná ainda é puxado pelo senador Sergio Moro (PL), que lidera os cenários testados pela Paraná Pesquisas.
A sondagem ouviu 1.500 eleitores entre 10 e 12 de abril, tem margem de erro de 2,6 pontos percentuais e registro PR-06559/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O levantamento foi contratado pelo Partido Liberal (PL).
No cenário estimulado com Rafael Greca, Moro aparece com 46%, contra 19,7% do ex-prefeito de Curitiba e 17,7% de Requião Filho. Guto Silva marca 3,6%.
Sem Greca, Moro vai a 52,5%, Requião Filho fica com 22,9% e Guto Silva aparece com 5,9%. A pesquisa não testou Sandro Alex nesses cenários, o que deixa uma pergunta incômoda para Ratinho: até onde a máquina transfere voto?
Ratinho tem aprovação alta, 83,8% no levantamento de abril, mas aprovação de governo não é procuração eleitoral. O eleitor pode aprovar obras, estradas e vitrine administrativa sem comprar automaticamente o candidato escolhido no Centro Cívico.
A escolha de Sandro Alex coloca o pedágio no centro da campanha. Ele foi secretário estadual de Infraestrutura e Logística, pasta que acompanhou concessões de rodovias, leilões e o discurso oficial de “tarifa justa”.
O problema político é simples: no Paraná, pedágio não é tema técnico. É memória de tarifa alta, promessa quebrada, caminhoneiro irritado, agricultor fazendo conta e motorista desconfiado diante de cada nova praça.
O governo vende o novo modelo como obras, duplicações e redução de custo. Mas a campanha não será disputada em PowerPoint de concessão. Será disputada no bolso de quem roda na BR-277, na BR-376, na BR-369 e nas estradas usadas para levar produção ao porto.
Aliás, Ratinho conseguiu autorização da ANTT para cobrar mais pedágio em novas praças em Jataizinho, Arapongas, Mandaguari e Presidente Castelo Branco. A cobrança será pelo sistema free flow, livre passagem, a partir do dia 4 de maio.
O Canal da Galheta amplia esse flanco. O governo do Paraná celebrou o leilão do acesso aquaviário ao Porto de Paranaguá, com concessão de 25 anos e previsão de R$ 1,23 bilhão em investimentos nos cinco primeiros anos.
O discurso oficial diz que a concessão deve aprofundar o canal, permitir navios maiores e reduzir custos para usuários do porto. O governo também afirma que a cobrança seguirá pela Tarifa Inframar, já existente.
A oposição, porém, ganhou uma palavra forte: “pedagiar”. O deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD) já havia cobrado explicações sobre o impacto da concessão do Canal da Galheta para operadores, setor produtivo e agronegócio.
É aí que Sandro Alex vira mais do que o candidato de Ratinho. Ele vira o rosto do modelo de infraestrutura do governo, com seus contratos longos, tarifas, concessões e promessas de obra futura.
Moro entra nessa disputa por outro caminho. Não precisa defender o legado de Ratinho, nem explicar o peso das concessões. Seu desafio é outro: convencer o eleitor paranaense de que sua candidatura ao governo não é apenas abrigo estadual para o bolsonarismo depois da filiação ao PL.
O campo de Ratinho aposta que Sandro Alex herdará estrutura, prefeitos, tempo político e a força de um governo bem avaliado. O campo de Moro aposta que a eleição será plebiscito contra o grupo que administrou pedágio, porto e tarifa.
Requião Filho (PDT) observa essa briga com um trunfo discursivo. Se Ratinho e Moro disputarem a direita, a oposição de centro-esquerda pode explorar a fadiga do paranaense com concessões e a rejeição histórica ao pedágio caro.
A sucessão paranaense, portanto, não começa zerada. Moro tem número. Ratinho tem máquina. Sandro Alex tem o carimbo da infraestrutura. Requião, a mobilização popular. E o pedágio, de novo, ameaça virar personagem principal.
Se Ratinho queria reescrever o roteiro com Sandro Alex, escolheu um nome que carrega o DNA do seu governo. A aposta pode render vitrine de obras, mas também entrega à campanha de 2026 o assunto que mais cobra pedágio na memória política do Paraná.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




