O ex-governador Roberto Requião (Mobiliza), candidato à Prefeitura de Curitiba, fez um desabafo público nesta segunda-feira (9/9), criticando sua exclusão de um debate promovido por diversas instituições, incluindo a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o portal Plural. Em dois vídeos divulgados nas redes sociais, Requião manifesta sua indignação, acusando os organizadores de praticarem um “jogo sujo” ao excluí-lo de discussões importantes para a cidade.
Requião não mediu palavras ao afirmar que sua ausência no debate se deve a uma estratégia deliberada para silenciá-lo. Segundo ele, os organizadores e os demais candidatos estariam buscando evitar um confronto direto sobre temas polêmicos, como a venda da Copel e a concessão de serviços públicos para a iniciativa privada. “Eles querem defender a venda da Copel, as concessões privadas da prefeitura e não têm coragem de debater. Eu sou contra esse sistema”, disse o candidato em tom de denúncia.
O debate está marcado para a próxima quinta-feira, dia 12, e será realizado em Curitiba, no auditório da UFPR. Requião, apesar de sua exclusão oficial, promete estar presente no evento, mesmo que seja da plateia, com o compromisso de comentar as falas dos demais candidatos em tempo real pelas redes sociais. Vou assistir da plateia e, pela internet, farei meus comentários ao vivo”, afirmou o candidato, determinado a participar da discussão pública.
De acordo com as regras do debate, apenas candidatos cujos partidos possuem representação no Congresso Nacional foram convidados, o que automaticamente exclui Requião, já que o MDB, partido pelo qual concorre, não atinge esse critério específico. No entanto, o ex-governador considera essa justificativa como uma tentativa de manobra política para excluí-lo por conta de suas posições contrárias às privatizações e às políticas neoliberais.
Requião, que sempre se posicionou como um crítico ferrenho do modelo econômico que defende a venda de estatais e a privatização de serviços essenciais, vê sua exclusão como parte de uma “*********” — termo que usa repetidamente em seus vídeos para descrever a postura dos organizadores. Querem entregar Curitiba para os privatistas. Vai acabar a prefeitura se transformando num McDonald’s, privatizando tudo”, protestou.
Para Requião, sua ausência no debate não significa apenas a perda de uma oportunidade de expor suas ideias, mas a tentativa de silenciar uma voz crítica ao sistema estabelecido. Querem me afastar da discussão de Curitiba porque estou em primeiro lugar nas pesquisas”, afirmou, referindo-se a recentes levantamentos que o colocam em posição de destaque na corrida eleitoral.
Apesar da exclusão, o ex-governador não pretende se calar. Ele já anunciou que fará uma “cobertura paralela” do debate, utilizando suas redes sociais para comentar em tempo real o desempenho dos demais candidatos. Além disso, a indignação expressa em seus vídeos demonstra que Requião está disposto a usar sua exclusão como bandeira de campanha, reforçando sua imagem de opositor ao sistema.
Em tempos de eleições polarizadas, a exclusão de Requião do debate pode ter consequências além das esperadas pelos organizadores. Seu discurso combativo e suas críticas às privatizações podem encontrar eco entre os eleitores descontentes com a atual gestão e os rumos propostos para Curitiba.
O que fica claro, no entanto, é que Requião não vai baixar a guarda. Em tom provocativo, o ex-governador fez questão de ironizar o organizador do debate, chamando-o de “*******” e acusando-o de “********” por ceder a pressões políticas. “Querem me negar a voz, mas eu estou em primeiro lugar nesta campanha”, insistiu.
Ainda que polêmico, o estilo direto e irreverente de Requião parece estar longe de perder força. Ao contrário, a exclusão do debate pode ter o efeito contrário: fortalecer sua narrativa de candidato outsider, pronto para enfrentar o “sistema” em defesa de uma Curitiba que, segundo ele, não deve ser vendida.
Com uma dose de humor ácido e a típica retórica afiada, Requião encerra seus vídeos com uma promessa: “Não terminei aqui porque me contenho, mas a vontade é acrescentar alguns nomes aos ********”. É o velho Requião, combativo e sem papas na língua, pronto para continuar sua batalha política, dentro ou fora dos debates oficiais.
Essa exclusão pode ser apenas mais um capítulo da longa carreira de Roberto Requião, sempre marcada por polêmicas e enfrentamentos com os poderosos. Agora, resta saber como os eleitores de Curitiba irão reagir a essa nova jogada política. Afinal, em tempos de eleição, nada é tão simples quanto parece.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




