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Rejeição de candidatos na pesquisa Datafolha é foco de alerta estratégico para Lula e bolsonarismo
A mais recente pesquisa do Instituto Datafolha, no fim de semana, revelou uma realidade dupla: por um lado, o favoritismo consolidado de Lula em todos os cenários testados; por outro, um alerta silencioso, porém estratégico, sobre o potencial de crescimento de nomes com baixa rejeição.
A análise é do sociólogo e estrategista Oliveiros Marques, publicada no Brasil 247, que vai direto ao ponto: o que mais importa neste momento não é a liderança de Lula, mas sim a rejeição dos concorrentes. Ou, melhor dizendo, a ausência de rejeição entre pré-candidatos que ainda orbitam fora do radar das polarizações.
O mapa da rejeição e seus riscos
Enquanto Lula aparece como líder absoluto nas intenções de voto, ele também carrega uma rejeição considerável, que, somada à rejeição altíssima de Jair Bolsonaro e de possíveis herdeiros políticos do ex-presidente, deixa um espaço aberto no tabuleiro.
Segundo Oliveiros, nomes como Ronaldo Caiado (União Brasil), Romeu Zema (Novo), Ratinho Júnior (PSD), Ciro Gomes (PDT) e até Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparecem com baixa rejeição, justamente por ainda não estarem no centro da artilharia política e ideológica. Esse “anonimato nacional relativo” funciona como vantagem competitiva: sem desgaste, esses nomes podem crescer com velocidade.
Esquecidos pela polarização?
É esse o ponto-chave da reflexão de Oliveiros Marques. Se a estratégia dos dois polos dominantes (PT e bolsonarismo) for ignorar os nomes da chamada “terceira via”, o risco é vê-los ganharem corpo sem enfrentar resistência.
Nesse contexto, os ataques recentes de Eduardo Bolsonaro a potenciais concorrentes fora do clã podem ser lidos como testes de munição para um possível cerco futuro. A lógica é simples: desgastar agora, antes que consolidem capital político.
O plano silencioso de Tarcísio e aliados
Ainda que o nome de Jair Bolsonaro continue forte entre seus apoiadores, o próprio Datafolha mostra que 61% do eleitorado não votariam em um candidato que prometesse livrar o ex-presidente de punições, o que limita a viabilidade de uma “campanha da anistia”.
Com isso, Tarcísio de Freitas (em São Paulo) e Ratinho Júnior (no Paraná) podem emergir como nomes de viabilidade eleitoral para a direita. Ambos contam com estruturas administrativas robustas, apoio de partidos fortes e, até agora, baixa rejeição, o que os torna alvos inevitáveis no xadrez de 2026.
Lula mira o centro, mas não pode desprezar os flancos
No campo progressista, a liderança de Lula ainda é sólida, mas o alerta de Oliveiros é preciso: manter-se como favorito exige atenção redobrada aos nomes que crescem nas margens do campo de batalha. Esses “outsiders institucionais” podem não ter o sobrenome Bolsonaro, mas carregam o projeto político da direita com verniz de moderação, algo que, historicamente, costuma atrair o eleitorado indeciso.
O presidente Lula já demonstrou instinto político ao antecipar movimentos e reorganizar frentes, mas precisa agora ajustar os holofotes para potenciais adversários que estão no ‘modo semente’.
Quem é Oliveiros Marques
O autor do artigo que repercutimos é sociólogo formado pela UnB, com atuação de 18 anos como assessor no Congresso Nacional. Também é publicitário e associado ao CAMP, tendo coordenado dezenas de campanhas políticas pelo país.
Com sua leitura estratégica, Oliveiros joga luz sobre a variável mais ignorada da corrida presidencial até aqui: a rejeição como termômetro real de competitividade eleitoral.
Zonas cinzentas
A disputa de 2026 já começou, mas não apenas no grito dos extremos. Está, principalmente, nos bastidores da rejeição, nos silêncios estratégicos e nas zonas cinzentas do eleitorado.
Se Lula lidera e o bolsonarismo ainda tenta manter a polarização viva mesmo com Bolsonaro inelegível até 2030, e sob risco real de prisão, a pergunta que ganha força após o último Datafolha é: quem vai crescer enquanto os dois polos ocupam o centro do conflito? E, mais ainda: quem vai atacar primeiro os nomes com potencial de furar a bolha?
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Aqui está a íntegra do artigo de Oliveiros Marques:
O que importa, de fato, no último Datafolha?
‘Na rejeição dos candidatos estão as informações mais importantes e onde possa residir o maior sinal de alerta desta pesquisa para a esquerda e para a direita’
Lula vence em todos os cenários. Essa deveria ter sido a manchete de todas as publicações no último final de semana. Isso porque do ponto de vista eleitoral para o leitor, essa é a principal verdade revelada pela mais recente pesquisa Datafolha, divulgada no sábado, 2 de agosto: Lula se distancia dos candidatos bolsonaristas e daqueles que buscam representar a extrema-direita.
No entanto, esse talvez não seja o dado mais relevante para os estrategistas das campanhas petistas e para os que sonham com uma candidatura “familiar” do clã Bolsonaro. Sim, eles ainda sonham em lançar alguém com o sobrenome Bolsonaro na cabeça de chapa. É no quadro de rejeição dos candidatos que estão as informações mais importantes e onde possa residir o maior sinal de alerta desta pesquisa para esses dois campos.
Os números mostram que os demais nomes testados nos diversos cenários apresentam níveis de rejeição ainda bastante baixos. Isso se deve, em parte, ao pouco conhecimento que eles têm dos eleitores brasileiros e ao fato de até hoje estarem mais focados nas disputas locais, longe do centro do debate político-ideológico dos últimos anos no cenário nacional. Baixa rejeição que se constitui em um trunfo, podendo se tornar uma ameaça real tanto para Lula quanto para o candidato familiar dos Bolsonaro.
É plausível supor que, nas duas trincheiras, já esteja em curso ou em planejamento alguma estratégia para aumentar o desgaste desses adversários potenciais. Talvez os ataques de Eduardo Bolsonaro a alguns desses personagens, pode ser parte desse movimento. O sonho para Caiado, Ratinho, Ciro, Zema e até mesmo para Tarcísio, sem dúvidas, é que eles sejam esquecidos pelos dois polos e façam a caminhada nos próximos 12 meses sem que dedos lhes sejam apontados. Para eles, o estado da arte, é que sigam falando apenas de flores.
Se um cenário assim se confirmar – e não vingar uma nova candidatura com o sobrenome Bolsonaro, esses nomes poderão se apresentar como a alternativa viável da direita e da extrema-direita contra a candidatura de Lula. Com baixa rejeição e maior visibilidade, ganham musculatura eleitoral.
É por isso que, nos próximos meses, é possível imaginar uma artilharia sendo direcionada a esses nomes. Tanto à esquerda quanto à direita, é possível surgir ataques – inicialmente indiretos – com o objetivo de desgastar suas imagens antes que possam se consolidar como opções reais. A conferir.
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Oliveiros Marques é sociólogo, publicitário e comunicador político.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Blog do Esmael.




