O governador Ratinho Junior (PSD) ainda não bateu o martelo sobre a própria sucessão.
Mas a leitura que chegou ao Blog do Esmael na noite desta sexta-feira (27) é de afunilamento no campo governista. A disputa interna teria encolhido a dois nomes: o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), e o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Alexandre Curi (PSD).
A novidade importa porque, poucas horas antes, o nome que circulava com força era o do ex-prefeito Rafael Greca (MDB).
Agora, fontes do entorno palaciano passaram a sustentar que Greca não atravessaria o último funil. Segundo esse relato trazido ao blog, o ex-prefeito enfrenta vetos dentro do núcleo mais próximo do 3º andar do Palácio Iguaçu. Isso não foi assumido publicamente até aqui.
Em público, Ratinho segue segurando a definição.
Em Londrina, nesta sexta-feira (27), ele disse que o anúncio de seu candidato deve sair “nos próximos dias”, mas tratou a montagem das chapas como prioridade maior do que a escolha imediata do cabeça de chapa.
Na véspera, já havia afirmado que a convenção é só em julho e que anunciar um nome agora “não resolve nada”.
Essa fala ajuda a entender o zigue-zague.
O governador também disse que está montando uma chapa completa, com governador, vice e dois nomes ao Senado. Citou publicamente Guto Silva e Alexandre Curi como quadros com estofo para esse desenho.
Ao mesmo tempo, reportagens dos últimos dias mostraram que Guto perdeu força, que Pimentel entrou no cálculo do PSD e que Curi permaneceu de pé como alternativa real no núcleo governista.
O dado novo do bastidor não é só a saída de Greca do centro da foto.
É o afunilamento da escolha em dois nomes com lógicas diferentes. Pimentel representa a tentativa de levar a força eleitoral de Curitiba para a disputa estadual. Curi oferece capilaridade na Assembleia e trânsito consolidado com prefeitos do interior.
Esse segundo ativo já vinha sendo apontado na cobertura recente sobre a reorganização do grupo de Ratinho.
No caso de Pimentel, há um relógio correndo.
Prefeitos que queiram disputar outro cargo em 2026 têm até 4 de abril para renunciar, segundo a regra de desincompatibilização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
É por isso que, no bastidor, o nome do prefeito aparece condicionado a uma decisão rápida. Se ele deixar a prefeitura dentro do prazo, entra de vez no páreo. Se não deixar, Curi passa a ter caminho mais limpo.
Greca, por sinal, já havia dado um sinal público contrário à saída de Pimentel da capital.
Em entrevista ao portal Nosso Dia na quinta-feira (26), ele foi lacônico: “Deixem o Eduardo em Curitiba”. Na mesma conversa, porém, também abriu a porta para compor com Curi e disse ver essa hipótese “com entusiasmo”.
O ex-prefeito continua no jogo político, mas a fotografia dele como cabeça de chapa voltou a perder nitidez.
Não está claro até aqui se Ratinho vai resolver isso no começo de abril ou se empurrará a definição até as convenções de julho.
O próprio governador já verbalizou que o calendário partidário lhe dá essa margem. O efeito prático é prolongar a tensão num grupo que tenta evitar dispersão enquanto Sergio Moro (PL) avança para ocupar espaço na direita paranaense.
Em avaliação relatada ao Blog do Esmael, Murilo Hidalgo, presidente da Paraná Pesquisas, resumiu o tamanho da reviravolta.
Há 18 meses, Ratinho precisou esconder Greca para vencer a eleição em Curitiba. Agora, em 2026, Greca pode virar a alternativa para derrotar Moro, seja como cabeça de chapa, seja como vice.
A frase captura bem o ambiente. A sucessão deixou de ser linha reta e virou uma disputa de sobrevivência dentro do próprio campo governista.
No meio desse vácuo, floresce de tudo nos corredores.
O que há de concreto nesta sexta-feira é outra coisa: Ratinho não decidiu, Greca voltou a ser contido pelo próprio entorno governista, e a bolsa de apostas do Palácio Iguaçu agora trabalha com dois finalistas, Pimentel ou Curi.
De tédio, os eleitores paranaenses realmente não morrerão em 2026.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




