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Ratinho adia Ponte de Guaratuba de quase R$ 500 milhões

O governador Ratinho Júnior (PSD) adiou para sexta-feira (1º), Dia do Trabalhador, a inauguração da Ponte de Guaratuba, antes marcada para quarta-feira (29), aniversário do município. A justificativa oficial foi a previsão de chuva, ventos e raios no Litoral, mas a troca de data devolve à vitrine uma obra que o governo chama de Ponte da Vitória e o Portal da Transparência já mostrou bem mais cara do que no contrato original.

No vídeo publicado nas redes, Ratinho avisou que a “tão esperada inauguração” passaria para 1º de maio. O governo confirmou a cerimônia às 16h, na cabeceira da ponte do lado de Guaratuba, com ato para autoridades, hasteamento da bandeira do Paraná, drones, fogos e luzes.

A previsão do tempo dá lastro à mudança. Para quarta-feira (29), Guaratuba tem previsão de chuvas ocasionais e tempestade. Para sexta-feira (1º), a previsão indica sol entre nuvens.

A chuva explica o adiamento operacional.

A conta pública explica a tensão política.

O governo informa investimento de “mais de R$ 400 milhões” na nova ligação sobre a Baía de Guaratuba. A estrutura tem 1.240 metros, quatro faixas de tráfego, ciclovia e áreas para pedestres, com promessa de reduzir a travessia para cerca de dois minutos.

O levantamento publicado pelo Blog do Esmael em 2 de abril mostrou outro número na mesa: a obra saiu de R$ 386,9 milhões no contrato original para R$ 488,8 milhões no detalhamento mais recente consultado no Portal da Transparência. A alta foi de 26,3%, com cerca de R$ 102 milhões acrescidos ao valor inicial.

O terceiro termo aditivo, assinado em 22 de outubro de 2025, elevou o contrato em R$ 51,5 milhões. O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) incluiu novos serviços de terraplanagem, drenagem, pavimentação, sinalização, obras complementares e contenções.

Antes disso, a sequência já havia empurrado a obra para cima. Houve reajuste de R$ 29 milhões em junho de 2023, aditivo de R$ 10,9 milhões em junho de 2025 para alteamento de linha de transmissão e prorrogação de 257 dias na execução, de 960 para 1.217 dias.

A ponte é uma reivindicação legítima do Litoral. O próprio Blog do Esmael levantou essa bandeira desde 2012, quando o debate era tirar a travessia do ferry boat da rotina de moradores, turistas e trabalhadores. Defender a obra, porém, nunca significou abrir mão de fiscalização sobre preço, aditivo e contrato.

A linha do tempo oficial mostra que o contrato foi assinado em 5 de dezembro de 2022, com previsão de 32 meses e valor de R$ 386,9 milhões. A ordem de serviço saiu dois dias depois. O Consórcio Nova Ponte, formado por OECI S.A., Carioca Christian-Nielsen Engenharia S.A. e Goetze Lobato Engenharia S.A., venceu a licitação.

O governo também decidiu carimbar a obra com nome próprio: Ponte da Vitória. A escolha foi divulgada em 22 de abril, uma semana antes da data original de entrega. Ratinho disse que o nome representaria uma conquista que “muitos julgavam não ser possível”.

O nome oficial, porém, não apaga o nome popular. Para quem mora no Litoral, atravessa a baía, enfrenta fila de ferry boat e paga a conta pública, a obra seguirá sendo chamada de Ponte de Guaratuba. É a população, não o marketing do Palácio Iguaçu, que costuma decidir como uma obra entra na memória.

A entrega também tem peso eleitoral. Ratinho transformou a ponte em ativo de governo no mesmo momento em que tenta organizar a própria sucessão no Paraná. O secretário estadual de Infraestrutura, Sandro Alex (PSD), foi lançado como herdeiro político do Palácio Iguaçu, mas ainda patina para convencer a base governista.

A mudança para 1º de maio dá a Ratinho um palco simbólico. O Dia do Trabalhador permite associar a obra a emprego, deslocamento e desenvolvimento. Também tira a festa do aniversário de Guaratuba, data que reforçava o vínculo local da entrega.

O problema é que a ponte chega ao corte da fita com duas verdades simultâneas. Ela encerra uma espera real do Litoral e melhora a ligação entre Guaratuba e Matinhos. Ao mesmo tempo, chega com aditivos robustos, custo ampliado e uma disputa política pelo nome, pelo palco e pelo crédito.

A Ponte de Guaratuba merece festa pela travessia que entrega. Também merece lupa pelo dinheiro que consumiu.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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