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Governo Lula aposta em medidas, mas cenário preocupa
O aumento do diesel chegou para colocar ainda mais pressão na mesa dos brasileiros. Com a safra recorde de soja consumindo praticamente todos os caminhões disponíveis, o preço do frete disparou até 40%, dificultando o transporte de alimentos essenciais e ameaçando diretamente as medidas do governo Lula para conter a inflação. Será que os esforços oficiais vão esbarrar na realidade das rodovias brasileiras?
O ano de 2025 começou com otimismo devido à safra recorde de soja, mas rapidamente a euforia se transformou em preocupação. Com o diesel nas alturas, o preço do frete subiu drasticamente, colocando em xeque as iniciativas do governo federal para zerar impostos de importação e aliviar o custo dos alimentos.
Um exemplo claro dessa crise veio com a empresa Padrão Transportes, que desistiu temporariamente de entregar 500 toneladas de milho para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O motivo? Falta de caminhões e o valor exorbitante dos fretes.
Paulo Bertolini, presidente da Abramilho, à Folha, não mediu palavras e afirmou categoricamente que o frete já aumentou entre 30% e 40% devido ao diesel caro. Segundo ele, a situação piora com a falta de silos nas propriedades agrícolas brasileiras. “Enquanto os Estados Unidos armazenam grãos diretamente nas fazendas, no Brasil, o caminhão vira depósito móvel”, critica.
Daniel Furlan Amaral, diretor da Abiove, também alerta que zerar impostos de importação é apenas uma solução paliativa. “Precisamos é investir pesado em infraestrutura logística, como fizeram Estados Unidos e China, apostando em hidrovias e ferrovias”, pontuou à publicação.
Wallace Landim, da Abrava, lamentou à mesma reportagem a precariedade das estradas brasileiras e a desvalorização dos caminhoneiros: “Motorista parado não ganha nada, e ainda por cima enfrenta insegurança nas estradas. É um absurdo”.

Não é a primeira vez que governos tentam reduzir preços zerando tarifas de importação. Dilma Rousseff, Jair Bolsonaro e o próprio Lula adotaram medidas semelhantes. No entanto, especialistas garantem que, sem uma infraestrutura adequada, essas iniciativas tendem a ser insuficientes.
A dificuldade de Lula vai além de medidas emergenciais. O presidente terá que lidar com problemas estruturais antigos, que vão desde a falta de armazenagem até o envelhecimento da frota e dos profissionais nas rodovias. Sem atacar essas questões de frente, o governo corre o risco de continuar girando em círculos.
A preocupação cresce especialmente porque cerca de 60% da carga brasileira depende diretamente das rodovias, e já há dificuldade em encontrar motoristas suficientes para atender à demanda.
Com o diesel em alta e o transporte no limite, o cenário não é nada animador para o governo Lula, que precisa urgentemente agir na raiz do problema: infraestrutura e logística.
No entanto, para vencer as eleições 2026, Lula ainda precisará mexer na estrutura da economia –além dessa abertura do setor agropecuário [alimentos básicos] para o mercado estrangeiro, da melhoria na infraestrutura e na logística.
Também será fundamental o governo Lula apostar na agricultura familiar ao invés da política de “plantar dólares” [soja e milho, por exemplo] do agronegócio.
Preço do diesel engorda sócios privados da Petrobras

A Petrobras não divulga publicamente dados detalhados sobre os custos específicos de refino por produto. No entanto, com base em informações disponíveis e estimativas, é possível aproximar esse valor.
Profissionais da área petrolífera dizem que o custo da extração e refino é bem menos de um real por litro, em média.
Os custos de extração e refino de petróleo que variam conforme diversos fatores, incluindo a localização dos campos petrolíferos e a eficiência operacional.
De acordo com dados da Petrobras, em fevereiro de 2025, o preço médio do diesel ao consumidor no Brasil foi de R$ 6,47 por litro. Desse total, a parcela da Petrobras foi de R$ 3,03, representando aproximadamente 46,8% do preço final.
Qual seja, a cada aumento no preço do diesel os sócios privados da petrobras —fundos de especulação nacionais e estrangeiros— engordam mais um bocado.
Portanto, é fundamental o governo fazer a recompra de ações da estatal de petróleo e de energia no país sob pena de ampliar a vulnerabilidade da nação. Isto é, o petróleo precisa voltar a ser nosso e a Petrobras precisa voltar ao controle da União.
E você, leitor, acredita que Lula vai conseguir domar esses problemas logístico, econômico e de segurança alimentar? Comente aqui e compartilhe sua opinião!
Leia também no Blog do Esmael: Trégua EUA-Irã derruba o Brent sob cautela no frete global; Ormuz volta a atirar no bolso do brasileiro; Paulinho da Força pressiona Lula a demitir Haddad e critica alta dos preços

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




