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Ex-Moro, Podemos se reinventa para as eleições 2026 no Paraná

O Podemos entra em fase de reconstrução política no Paraná e tenta se reposicionar como ator relevante na sucessão do governador Ratinho Junior (PSD). A sigla, que já abrigou Sergio Moro durante sua primeira incursão eleitoral em 2022, realiza encontro nesta terça-feira 9, às 12h, no restaurante Madalosso, em Curitiba, sob a liderança da deputada Renata Abreu (Podemos-SP), presidente nacional do partido.

A reunião gastronômica marca formalmente a posse de Luciane Bonatto como presidente estadual e de Paulo Rogério do Carmo como vice-presidente. A movimentação simboliza o novo ciclo da legenda, agora distanciada do legado de Moro e alinhada ao projeto do governo Ratinho para construir um nome competitivo ao Palácio Iguaçu em 2026.

A ruptura não é mero detalhe histórico. Em março de 2022, Moro deixou o Podemos para se filiar ao União Brasil, numa articulação que implodiu pontes internas e enfraqueceu o campo que o apoiava. Hoje, paradoxo dos novos tempos, o ex-juiz enfrenta resistência dentro da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, e corre o risco real de ficar sem legenda para disputar o governo do Paraná.

Enquanto Moro vive esse cerco partidário, o Podemos aproveita o vácuo e se recoloca como ponte entre o centro-direita governista e os setores que orbitam o projeto de sucessão de Ratinho Junior. O partido tem afinidade crescente com o grupo que administra o estado e se prepara para influenciar a escolha do próximo nome ao Palácio Iguaçu.

Pelo menos três governistas estão no páreo, Alexandre Curi (PSD), Guto Silva (PP) e Rafael Greca (PSD). No tabuleiro interno do Podemos, porém, Greca e Curi soam como opções mais harmônicas ao alinhamento atual da sigla, que busca protagonismo e espaço real de poder no próximo ciclo eleitoral.

Aliás, não é segredo de ninguém que o Podemos “namora” o ex-prefeito de Curitiba. Greca pode ser candidato a vice ou governador em caso de racha no grupo de Ratinho.

A confirmação de Luciane Bonatto e Do Carmo à linha de frente reforça esse alinhamento. Em nota pública, o vice-presidente eleito destacou compromisso com responsabilidade, seriedade e fortalecimento partidário, evocando um Podemos mais estruturado e menos dependente de figuras externas, como ocorrera com Moro.

O encontro no Madalosso também cumpre função simbólica: o partido volta a falar como ator de relevância estadual, com disposição para negociar alianças e para ocupar espaço nas chapas majoritárias. Essa reinvenção ocorre num momento em que o mapa político do Paraná está sendo redesenhado pelo racha no União Progressista, pela reorganização do PP e pelas articulações secretas da base governista.

No fim das contas, a nova direção do Podemos tenta traduzir a crise dos adversários em oportunidade. A legenda retoma discurso de autonomia, costura pontes com o grupo do governador e se posiciona como força decisiva na disputa de 2026, enquanto Sergio Moro, paradoxalmente, assiste de fora ao fortalecimento do partido que um dia o projetou.

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