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Ricardo Barros comunica veto a Sergio Moro e fecha porta na União Progressista

O deputado federal Ricardo Barros, líder do Progressistas no Paraná, decidiu comunicar pessoalmente ao senador Sergio Moro (União) que ele não é bem-vindo como candidato da União Progressista ao governo do estado. A reunião ocorre em Brasília, nesta terça (9), e sela o isolamento político do ex-juiz da Lava Jato dentro da federação.

A decisão não surgiu de improviso. Na segunda (8), em Curitiba, a executiva estadual do Progressistas aprovou por unanimidade uma resolução para barrar a homologação de Moro. O encontro contou com o vice-presidente nacional da União Progressista e presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI), que recebeu o comunicado oficial da bancada paranaense.

O Blog do Esmael teve acesso a trechos da reunião, que mostram o tamanho da pressão sobre Nogueira. Líderes do Progressistas alertaram que, se a direção nacional ignorasse o veto do Paraná, poderia haver debandada das bancadas estadual e federal do partido. O próprio Ciro reconheceu que não confrontaria o diretório paranaense, afirmando que “jamais iria contra a decisão do Paraná”.

Ricardo Barros, mandachuva do PP no Paraná, reforçou que Moro teve sete meses para construir apoios dentro da federação, mas não conseguiu adesão suficiente entre os progressistas. Segundo a ata comunicada na reunião, o ex-juiz dialogou com todas as lideranças, porém sem convencer nenhuma ala relevante do PP paranaense.

A fissura se expande pela União Progressista. Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, insiste no nome de Moro por ele liderar pesquisas locais, mas a federação só avança com consenso. Sem apoio do PP paranaense, a federação não consegue registrar chapa. Nogueira admitiu que, embora compreenda a posição da União Brasil, sem acordo não haverá candidatura conjunta.

Com as portas fechadas, Moro estuda rotas de fuga partidária. Entre as opções avaliadas, segundo aliados, estão o Missão (antigo MBL), o PRTB de Pablo Marçal e ainda o Democrata, originário do antigo Partido da Mulher Brasileira (PMB), primeira legenda da jornalista Cristina Graeml, hoje pré-candidata ao Senado ao lado do ex-juiz.

A reunião de hoje, com Ricardo Barros, Sergio Moro, Antônio Rueda e Ciro Nogueira, tende a encerrar a disputa dentro da federação. O Progressistas, por sua vez, mantém alternativas próprias ao Palácio Iguaçu, com nomes como Cida Borghetti (PP), Rafael Greca (PSD), Alexandre Curi (PSD) e Guto Silva (PSD) ventilados internamente durante a reunião em Curitiba.

Na prática, o PP se firma como principal aliado do governador Ratinho Júnior (PSD), que se consolida como a força mais organizada contra Sergio Moro no tabuleiro local. O ex-juiz vira alvo preferencial do Palácio Iguaçu na disputa de 2026, afastando de vez a hipótese de um chapão de direita no estado sob a liderança do senador do União.

O quadro traduz a erosão da influência de Moro num estado em que já foi protagonista. O Progressistas quer preservar musculatura para a disputa proporcional, enquanto a União Brasil tenta evitar uma fissura nacional num momento em que a federação ainda aguarda homologação pelo TSE. Todo esse ruído ocorreu a poucos meses do prazo final de filiações, aumentando a urgência por uma solução.

A tendência é que a União Progressista saia da reunião de Brasília com uma porta fechada e Moro oficialmente fora da federação, abrindo um novo capítulo para sua tentativa de candidatura em 2026.

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