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O bolsonarismo projeta um feito eleitoral sem precedentes para as eleições de 2026. Se repetir o desempenho de 2022, o PL pode dominar o Senado, mas ainda assim não atingiria o número necessário para cumprir sua meta mais ousada: destituir ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).
Segundo a Folha de S.Paulo, uma vitória arrasadora, acima dos 70% das vagas em disputa, seria necessária para que o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro atinja 54 cadeiras no Senado — número mínimo exigido para aprovar um processo de impeachment contra magistrados do Supremo. A tarefa, dizem analistas, beira o impossível.
Mesmo assim, o plano está em marcha.
Giacobo revela a conta do PL
O deputado Fernando Giacobo (PL-PR), presidente da sigla no Paraná e líder das Minorias na Câmara, disse com todas as letras ao Blog do Esmael no começo do mês de abril:
“Se elegermos 35 senadores em 2026, com os 8 de 2022, chegaremos a 43. Aí ninguém segura o PL no Senado.”
Essa previsão tem deixado a cúpula petista em alerta. Com a renovação de 54 cadeiras em 2026, o bolsonarismo precisa conquistar 30 delas para ter maioria simples (45 de 81), o que já seria suficiente para dar ao grupo amplo controle da agenda legislativa — e ameaça ao equilíbrio institucional.
Mas para derrubar ministros do STF, o buraco é mais embaixo. Seriam necessários 39 senadores eleitos em 2026, o que implicaria em vitórias duplas em ao menos 12 estados — algo nunca antes alcançado na história política brasileira.
Giacobo ainda revelou ao Blog do Esmael que o PL planeja eleger entre 120 e 150 deputados federais nas eleições de 2026.
Os estados-chave e os entraves ao bolsonarismo
O projeto de hegemonia enfrenta barreiras concretas em regiões estratégicas. No Norte e Nordeste, o bolsonarismo tende a sair com as mãos abanando em diversos estados. Na Bahia, três aliados de Lula —Jaques Wagner, Rui Costa e Ângelo Coronel— disputam as duas vagas com favoritismo. No Maranhão, o grupo bolsonarista sequer tem um nome viável até agora.
No Rio Grande do Norte, a governadora petista Fátima Bezerra lidera as intenções para uma das cadeiras. No Pará, a família Barbalho, próxima de Lula, domina as intenções de voto para as duas vagas em disputa.
Mesmo em redutos tradicionalmente bolsonaristas, como Goiás, o ex-presidente pode sair derrotado. Isso porque o governador Ronaldo Caiado (União Brasil), apesar de direitista, trava uma guerra surda com Bolsonaro. A tendência local é que Gracinha Caiado ou Gustavo Mendanha (MDB) conquistem as vagas.
Em Minas Gerais, Bolsonaro ainda procura um nome viável. Em São Paulo, aposta suas fichas em uma chapa do PL com Eduardo Bolsonaro e Guilherme Derrite (PP). No Rio de Janeiro, o nome é Flávio Bolsonaro — com chances reais de reeleição.
O peso das defecções
Mesmo que o PL consiga eleger nomes com o selo “bolsonarista”, há risco de defecções em temas sensíveis como o impeachment de ministros do STF.
No Distrito Federal, por exemplo, um nome forte é o do governador Ibaneis Rocha (MDB), ligado a Bolsonaro, mas com laços profundos com o Judiciário. Ele já declarou publicamente que não apoiaria a destituição de ministros:
“Tem que ser algo muito sério. Com o que tem hoje, não teria o meu apoio.”
Mesmo Michelle Bolsonaro, caso não entre na disputa presidencial e concorra ao Senado, pode adotar um tom mais moderado em pautas extremas.
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Lula recalcula a rota
Diante da ofensiva do PL, o presidente Lula articula uma frente ampla nas eleições ao Senado, apostando em alianças estaduais e no recall de seus aliados. Governadores bem avaliados, como Eduardo Leite (RS) e Ratinho Júnior (PR), também avaliam o Senado como plano B — o que pode alterar o xadrez político em 2026.
O Planalto sabe que o Senado de 2026 será decisivo para os rumos da política brasileira — e que, diferente da Câmara, o Senado tem poder real sobre temas sensíveis como impeachment de ministros, aprovação de emendas constitucionais e sabatina de indicados ao STF.
Revanchismo institucional
O projeto bolsonarista de controlar o Senado não mira apenas o Legislativo — é parte de uma ofensiva maior sobre o equilíbrio entre os poderes, especialmente o Judiciário. É legítimo questionar o STF, que em muitos momentos também tem agido de forma concentradora e pouco transparente. Mas entregar uma maioria qualificada ao bolsonarismo pode trocar um problema por outro ainda maior: a institucionalização do revanchismo e da instabilidade.
A eleição para o Senado em 2026 será mais que uma disputa por cadeiras. É um teste de maturidade democrática num país ainda marcado por polarizações extremas.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




