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Bolsonaro ataca STF e tenta descolar Moraes e Barroso do julgamento

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Em novo movimento tático de alto risco, Jair Bolsonaro (PL) publicou neste domingo (18) um vídeo no qual ataca diretamente os ministros Alexandre de Moraes e Luiz Roberto Barroso, ambos do Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-presidente, réu na Corte por tentativa de golpe de Estado, tenta esvaziar a autoridade de dois dos magistrados que podem decidir seu destino.

O vídeo, carregado de emoção e insinuações, busca rotular os ministros como parciais. Mais que um desabafo, trata-se de uma ofensiva preventiva. Bolsonaro quer minar a credibilidade dos julgadores, num esforço para alegar perseguição política caso venha a ser condenado — cenário que, nos bastidores de Brasília, já é dado como provável.

“Missão dada é missão cumprida”

No trecho mais contundente, Bolsonaro relembra a diplomação de Lula em dezembro de 2022:

“No dia de diplomação, o ministro [Benedito Gonçalves, do TSE] passa pelo Alexandre de Moraes e fala: ‘Missão dada é missão cumprida’. Outro ministro [Barroso] diz: ‘Nós derrotamos o bolsonarismo’.”

A insinuação é clara: que os ministros teriam atuado com motivação política, não jurídica, durante o processo eleitoral e nos julgamentos subsequentes. A crítica se soma a outras declarações recentes, nas quais Bolsonaro afirma que seria “sua morte” caso fosse preso.

Defesa preventiva e narrativa do martírio

Mesmo fora do cargo, Bolsonaro continua sendo investigado pelo Supremo Tribunal Federal. A Corte já firmou entendimento de que inquéritos envolvendo autoridades — como parlamentares, ex-presidentes e ministros de Estado — devem permanecer sob sua jurisdição quando os fatos investigados ocorreram durante o exercício da função. O inquérito sobre a tentativa de golpe de Estado segue sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Nos bastidores do PL, a preocupação é crescente. Embora a inelegibilidade de Bolsonaro até 2030 já esteja consolidada, o temor agora gira em torno de uma eventual condenação penal, que possa levar à sua prisão ou à imposição de restrições de movimentação. Isso enfraqueceria a articulação política da legenda e desmobilizaria a base bolsonarista às vésperas das eleições de 2026.

STF endurece o tom

Recentemente, o STF tem adotado uma postura dura com os envolvidos nos ataques à democracia. A condenação da deputada Carla Zambelli (PL-SP), sentenciada a 10 anos de prisão, é vista como um indicativo de que a Corte não pretende recuar.

Não é de somenos, também, a condenção do ex-presidente Fernando Collor de Mello, 75 anos, que teve sua prisão em regime fechado convertida em domiciliar em virtude da idade e comorbidades.

O próprio Alexandre de Moraes, relator do inquérito do golpe, já afirmou que as provas contra Bolsonaro são “contundentes e irrefutáveis”. A tendência é que o processo avance para o julgamento ainda este ano, o que colocaria o ex-presidente em xeque antes mesmo da largada oficial da corrida eleitoral de 2026.

Imagem de força ou sinal de desespero?

O vídeo publicado neste domingo se soma a uma série de ações desesperadas de Bolsonaro para manter sua base mobilizada e evitar a erosão de seu capital político. Com Michelle Bolsonaro enfrentando resistências internas e a imagem do bolsonarismo desgastada após os vazamentos da Polícia Federal, o ex-presidente tenta retomar protagonismo.

No entanto, o ataque frontal ao STF pode ter efeito contrário: reforçar a imagem de Bolsonaro como alguém que não respeita as instituições democráticas. Para setores do centro político e da elite empresarial, esse tipo de investida é visto com preocupação, o que dificulta qualquer tentativa de costura para um eventual “plano B” eleitoral.

Bolsonaro vs. STF

O vídeo de Bolsonaro, 70 anos, é mais que um recado: é uma cartada. Uma tentativa de desqualificar os ministros que o julgarão, antecipando a narrativa de injustiça. Mas ao apostar no confronto com o Supremo, o ex-presidente joga com a instabilidade institucional — e com sua própria liberdade.

A escalada retórica revela que Bolsonaro não está apenas preocupado com a inelegibilidade. Ele teme a prisão. E, como sugere sua fala recente, começa a flertar com o martírio político como último escudo.

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