Quem ganha e quem perde na janela partidária; confira

PL fecha janela com 101 deputados após queda do União

O Partido Liberal (PL) saiu da janela partidária com 101 deputados federais, abriu 35 cadeiras de vantagem sobre o Partido dos Trabalhadores (PT), que ficou com 66, e empurrou o União Brasil para 44. A fotografia da Câmara que circula em Brasília neste sábado (4) ainda será formalizada pela Casa, mas já mostra quem ganhou força e quem sangrou na reta final do troca-troca.

A janela terminou na sexta-feira (3) e permitiu, por 30 dias, que deputados federais, estaduais e distritais mudassem de sigla sem perder o mandato. A regra vale para cargos proporcionais e fecha seis meses antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.

Na parcial mais recente, o PL saltou de 86 para 101 cadeiras. O Progressistas (PP) foi de 50 para 54, o Partido Social Democrático (PSD) ficou em 47 e o Podemos cresceu de 16 para 24. O PT perdeu uma cadeira, de 67 para 66.

Do outro lado, o União Brasil sofreu a maior baixa, de 59 para 44. O Republicanos recuou de 44 para 41, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) caiu de 42 para 37 e o Partido Democrático Trabalhista (PDT) desabou de 16 para 6. Na faixa intermediária, o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) subiu de 14 para 19 e o Partido Socialista Brasileiro (PSB) foi de 16 para 20.

A parcial também registra 120 trocas de legenda na Câmara. Se o número se confirmar, o PL fechará a janela com sua maior bancada desde 1998, quando o então Partido da Frente Liberal (PFL) alcançou 105 cadeiras. Mesmo assim, o retrato ainda não está completamente congelado, porque o retorno de ministros titulares aos mandatos pode mexer outra vez na contagem.

Em Brasília, a leitura é dupla. Há um empuxo nacional do bolsonarismo, na órbita da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas a engrenagem real da janela continuou sendo estadual: disputa por vagas ao Senado, montagem de chapas e rearranjos regionais pesaram mais do que afinidades ideológicas em boa parte das migrações. Essa combinação ajuda a explicar por que o PL cresceu e por que o União Brasil terminou o prazo tão esvaziado.

No Paraná, a janela mexeu no quadro da sucessão e também na bancada federal. O senador Sergio Moro deixou o União Brasil e foi para o PL. O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), deputado Alexandre Curi, saiu do PSD para o Republicanos. O ex-prefeito Rafael Greca deixou o PSD e migrou para o MDB. Na Câmara, Rosângela Moro saiu do União e se filiou ao PL, o PL atraiu Reinhold Stephanes e Sargento Fahur, e Nelson Padovani fez o percurso União, PL, Republicanos.

A conta política é objetiva. O PL termina a janela maior, o PT conserva a vice-liderança e o União Brasil paga a fatura mais pesada. Para a eleição de 2026, a Câmara sai desse prazo legal menos dispersa no topo e mais tensa no bloco intermediário, onde as alianças regionais vão decidir muita coisa antes mesmo do início formal da campanha.

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