O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quarta-feira (3) que a oposição já dispõe de votos suficientes para aprovar no Congresso uma anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo ele, a proposta ainda está em discussão, mas já conta com apoio de partidos como PP, União Brasil, Republicanos e PSD.
Valdemar sustenta que a medida busca corrigir o que considera uma negação do direito de defesa dos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Estima cerca de 300 votos favoráveis na Câmara. “Nós temos número para isso. O que esperamos é que haja um entendimento para que esse pessoal que não teve direito à defesa possa ser anistiado”, disse.
No Senado, o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) estuda colocar em pauta um texto alternativo, mais restritivo. Já o PL defende anistia irrestrita e vem pressionando para acelerar o tema, de olho no cenário pós-julgamento da Ação Penal 2668, que envolve Bolsonaro e aliados.
O dirigente também ressaltou a participação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na mobilização. A atuação reforça sua projeção nacional e o posiciona como alternativa no tabuleiro de 2026.
Questionado sobre a sucessão presidencial, Valdemar reafirmou que o partido apoiará o nome indicado por Bolsonaro, mesmo que seja um de seus filhos. “Se for o Eduardo Bolsonaro, apoio o Eduardo. O Eduardo é o nosso candidato”, afirmou.
Enquanto conspira nos bastidores, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) cumpre agenda nos Estados Unidos pressionando por sanções contra ministros do STF. O movimento reforça a estratégia de confronto permanente da família Bolsonaro com a Corte.
A reação veio do líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ). “É inacreditável o avanço da anistia”, disse. Para ele, a Casa deveria priorizar medidas como a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil e a PEC da Segurança Pública, em vez de blindar aliados do ex-presidente.
A disputa pela anistia mostra a tentativa da oposição de salvar Bolsonaro da inelegibilidade e, ao mesmo tempo, preparar um plano B. Caso avance, a medida fragiliza a democracia e sinaliza a disposição das forças bolsonaristas de retomar o poder mesmo após a tentativa de golpe fracassada em 2023.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




