PGR faz operação de busca na Lava Jato de Curitiba

Sem alarde da velha mídia, a força-tarefa Lava Jato de Curitiba está sob “intervenção” da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Técnicos da PGR desembarcaram nesta terça-feira (21) na capital paranaense em busca de dados de operações preteridas da equipe coordenada pelo procurador Deltan Dallagnol.

“Sejam bem-vindos e aventurados!”, saudou o advogado curitibano Luiz Carlos Rocha, o Rochinha, um dos defensores do ex-presidente Lula.

A intervenção da PGR na Lava Jato ocorre uma semana após o presidente do STF, Dias Toffoli, conceder uma liminar ao procurador-geral Augusto Aras.

O PGR fez uma reclamação no Supremo Tribunal Federal contra a força-tarefa de Curitiba, que se negara a compartilhar dados.

A intervenção da PGR na Lava Jato do Paraná deverá durar uma semana, segundo estimativas do órgão.

O que busca a PGR:

  • 1 petabyte (PB) de dados (500 na Polícia Federal e 500 no Ministério Público Federal);
  • 50 milhões de movimentações financeiras que somam R$ 4 trilhões; e
  • 784 relatórios digitalizados de inteligência financeira produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

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Bolsonaro abandona a principal pesquisa nacional sobre a pandemia de Covid-19

O Blog do Esmael já noticiou no último dia 10 de julho a possibilidade do ministério da Saúde, que está transformado num quartel, abandonar a principal pesquisa sobre a evolução da pandemia, que vem aferindo a prevalência do novo Coronavírus no Brasil desde maio.

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Agora, a notícia se confirmou. A EpiCovid-19 BR está oficialmente sem financiamento para continuar colhendo os dados sobre a maior pandemia de nossa história.

Conforme o reitor da Universidade Federal de Pelotas, Pedro Hallal (na foto que ilustra a matéria), que também coordena a EpiCovid, o contrato inicial previa as três primeiras fases, que foram concluídas no início deste mês. Depois disso, a pasta não demonstrou interesse em avançar para novas etapas do estudo.

“Completamos as três fases, o projeto foi concluído. O que o Ministério poderia fazer, que seria razoável, era continuar e fazer mais fases da pesquisa. Infelizmente, parece que o Ministério não está interessado, porque não nos procurou mais. Embora a gente tenha manifestado o quanto era importante seguir em mais fases da pesquisa”, explica Hallal.

A UFPel, agora, busca novas formas de financiamento para dar sequência às próximas fases da Epicovid. Conforme Hallal, já existem negociações com instituições de pesquisa e iniciativa privada, para evitar que o estudo seja afetado.

Talvez, um dos motivos da desistência do governo Bolsonaro seja o fato de que a pesquisa revelou informações que contradizem o negacionismo do presidente. Como as que seguem:

  • Subnotificação de casos: A pandemia pode ser até 6,5 vezes maior do que apontam os números oficiais;
  • Pessoas mais pobres têm mais infecções que indivíduos mais ricos;
  • Indígenas têm 5 vezes mais risco de desenvolver a Covid-19;
  • Crianças pegam o coronavírus;
  • Para Bolsonaro e o quartel da Saúde, a verdade não interessa.

Com informações do G1.

Veja a abaixo a matéria publicada em 10 de julho:

Brasil chega a 70 mil mortos pela Covid-19 e ‘quartel’ da Saúde abandona pesquisa sobre a doença

O ministério da Saúde, transformado num verdadeiro quartel pelo governo Bolsonaro, está sem ministro efetivo há quase dois meses. Isso na maior pandemia já enfrentada pelo País.

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O ministro interino, general Eduardo Pazuello, era um militar da ativa e foi para a reserva há poucos dias. Sua especialidade é logística. Além dele, a maioria dos cargos importantes da pasta é ocupada por militares.

O Brasil deve atingir nesta sexta-feira (10) a triste marca de 70 mil mortos pelas contas do próprio ‘quartel’ (ministério) da Saúde. E é neste cenário macabro que o governo abandona a EpiCovid-19 BR, a principal pesquisa sobre a evolução da pandemia, que vem aferindo a prevalência do novo Coronavírus no Brasil desde maio.

O próprio governo enalteceu o trabalho dos pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel), que atestaram o crescimento exponencial da epidemia no país para além dos números oficiais, mas não há ações indicando que a pesquisa será continuada.

A quarta fase da EpiCovid-19 começaria nesta quinta-feira e, sem a continuidade, os prazos metodológicos ficarão prejudicados.

Na avaliação do reitor da Ufpel, o epidemiologista Pedro Hallal, que lidera o projeto EpiCovid-19 BR, a não renovação dos trabalhos colocará o Brasil em um voo às cegas e prejudicará diversas frentes de pesquisa que poderiam se alimentar da fonte do levantamento, conduzido pelo Ibope em 133 cidades espalhadas pelo território nacional.

A EpiCovid-19 foi aprovada ainda na gestão de Luiz Henrique Mandetta na Saúde. Foram testadas e entrevistadas 89.397 pessoas até agora.

Em nota, o ministério informou que “dará continuidade a estudos de inquérito epidemiológico de prevalência de soropositividade na população”, mas que “ainda não está definido se será a continuação do EpiCovid-19, pela UFPel, ou por outra instituição, ou PNAD Covid, pelo IBGE. Uma alternativa em estudo é utilizar ambas as estratégias”.

“O Ministério da Saúde esclarece ainda que, conforme estava previsto no Termo de Execução Descentralizada firmado com a UFPel, as três etapas previstas da pesquisa EpiCovid-19 foram executadas. E reforça que o Ministério da Saúde não tem restrições ideológicas e dialoga com diversos atores de variadas instituições de ensino e pesquisa que trabalham em prol do Sistema Único de Saúde”, conclui o comunicado.

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Apesar do que diz o ministério quartel, a realidade aponta que a EpiCovid-19 será abandonada.

A possível interrupção da pesquisa Epicovid pelo Ministério da Saúde levou o ex-ministro da Saúde e deputado. Alexandre Padilha (PT-SP), a apresentar um requerimento ao Tribunal de Contas da União, solicitando que a pesquisa seja mantida pela relevância e também pelo valor que já foi investido: R$ 12 milhões.

O líder do Cidadania na Câmara, deputado Arnaldo Jardim (SP), protocolou um requerimento em que solicita ao ministro interino Eduardo Pazuello que mantenha a pesquisa, alegando que os dados ajudam a guiar as políticas públicas de manejo da pandemia.

Com informações da Folha e do Globo.