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A Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro (PL) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por coação no processo do golpe de Estado e realizou buscas contra o pastor Silas Malafaia nesta quarta-feira (20).
Indiciamento por coação e tentativa de golpe
Segundo a PF, há indícios de que Jair e Eduardo atuaram para atrapalhar o andamento da ação penal do golpe, na qual o ex-presidente já é réu. O relatório aponta que ambos tentaram coagir autoridades do Supremo Tribunal Federal e até mesmo pressionar o Congresso Nacional. As condutas, segundo os investigadores, configuram crime de tentativa de abolição do Estado democrático de direito.
Malafaia e as mensagens recuperadas
O pastor Silas Malafaia, alvo de mandado de busca e apreensão, aparece em conversas extraídas do celular de Bolsonaro. Em uma delas, no dia 25 de julho, Malafaia orienta o ex-presidente a disparar vídeos nas redes sociais para mobilizar apoiadores. Em outra frente, a PF afirma que Malafaia instigou Jair Bolsonaro a descumprir ordens do ministro Alexandre de Moraes. O pastor retornou de Lisboa nesta quarta-feira e foi conduzido para depor no Rio de Janeiro.
Eduardo, Trump e a estratégia nos EUA

As mensagens recuperadas mostram que Eduardo Bolsonaro, licenciado da Câmara, articulava com o governo de Donald Trump para pressionar contra o processo brasileiro. Em 7 de julho, ele admitiu em mensagem ao pai que a anistia proposta não visava os condenados do 8 de janeiro, mas o próprio Jair Bolsonaro. A PF também registrou que Eduardo passou a publicar em inglês com foco no público externo e em influenciar o debate internacional.
Pedido de asilo político na Argentina
A investigação encontrou no celular de Jair Bolsonaro um rascunho de pedido de asilo político ao presidente argentino Javier Milei. O documento, sem data e assinatura, alegava perseguição política no Brasil. Segundo a PF, o arquivo demonstra que o ex-presidente planejava deixar o país desde 2024.
Situação jurídica de Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar por decisão do ministro Alexandre de Moraes, medida decretada justamente após tentativas de coação reveladas pela investigação. No processo em que é réu por tentativa de golpe, o julgamento está marcado para 2 de setembro de 2025.
Portanto, o cerco jurídico contra Bolsonaro e seus aliados se estreita. O indiciamento de Jair e Eduardo, somado às buscas contra Malafaia, expõe uma rede que ultrapassa as fronteiras nacionais e envolve articulações diretas com Donald Trump.
O caso coloca em evidência não apenas o papel da extrema direita brasileira, mas também a vulnerabilidade democrática diante de movimentos que buscam deslegitimar instituições. Leia mais no Blog do Esmael.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




