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Paraná dá 25 votos ao fim da escala 6×1

A bancada do Paraná na Câmara dos Deputados registrou 25 votos a favor do fim da escala 6×1 nesta quarta-feira (27), sem voto contrário no painel nominal que aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 por 472 votos a 22 em primeiro turno.

O recorte paranaense tem peso político porque atravessa partidos que disputam o estado em 2026. PL, PT, PSD, União, Podemos, PP, PSB, PSDB e PV aparecem no painel com deputados do Paraná votando “sim” à mudança na jornada.

A proposta aprovada acaba com o modelo de seis dias de trabalho para um dia de descanso e abre caminho para a escala 5×2, com dois dias de folga. A matéria ainda precisa passar pelo segundo turno no Plenário da Câmara antes de seguir no processo legislativo.

No Paraná, o dado mais forte está no placar interno: entre os deputados paranaenses com voto registrado no painel, ninguém votou contra. O resultado tira da bancada um dos maiores riscos eleitorais da pauta trabalhista: aparecer ao eleitor como obstáculo direto ao fim da 6×1.

O PL, partido de Jair Bolsonaro e de nomes fortes da direita no estado, teve quatro votos favoráveis do Paraná: Filipe Barros, Itamar Paim, Sargento Fahur e Vermelho. O registro importa porque a direita tentou reposicionar o discurso sobre jornada antes que a pauta virasse passivo eleitoral.

O PT também fechou seus cinco votos paranaenses pelo “sim”: Carol Dartora, Gleisi Hoffmann, Tadeu Veneri, Welter e Zeca Dirceu. Para o campo lulista, o placar reforça a tentativa de transformar a jornada de trabalho em pauta popular na eleição de 2026.

O PSD, legenda do governador Ratinho Junior e de parte relevante da máquina política estadual, aparece com Beto Preto, Leandre, Luiz Nishimori e Sandro Alex votando a favor. O voto de Sandro Alex também tem leitura eleitoral, já que ele é tratado como nome do grupo governista na sucessão estadual.

O União registrou cinco votos favoráveis do Paraná: Delegado Matheus Laiola, Diego Garcia, Geraldo Mendes, Luisa Canziani e Paulo Litro. O Podemos aparece com Felipe Francischini e Luiz Carlos Hauly. O PP registrou os votos favoráveis de Ricardo Barros e Toninho Wandscheer.

Também votaram “sim” Aliel Machado (PV), Luciano Ducci (PSB) e Beto Richa (PSDB). A lista mostra que o voto favorável atravessou governo, oposição, centro, direita e esquerda no Paraná, sem criar uma trincheira estadual contra a mudança.

Cinco deputados paranaenses em exercício não aparecem com voto registrado no painel enviado: Dilceu Sperafico (PP), Padovani (PP), Pedro Lupion (Republicanos), Sergio Souza (MDB) e Tião Medeiros (PP). O dado não permite afirmar ausência formal sem outra checagem da Câmara, mas mostra que esses nomes não constam no registro nominal analisado.

O ponto político fica nessa diferença. Quem votou “sim” terá material para dizer ao eleitor que apoiou o fim da 6×1. Quem não aparece no painel terá de explicar, se cobrado, por que não teve voto registrado numa pauta que atinge comerciários, trabalhadores de mercado, farmácia, shopping, telemarketing, vigilância, restaurantes e transporte.

A votação também mexe com o discurso empresarial no Paraná. A mudança de escala exige reorganização de turnos, contratação, custo e negociação em setores com funcionamento contínuo. Para o trabalhador, a consequência central é tempo livre, descanso e vida fora do serviço.

O placar nacional de 472 a 22 mostra que a Câmara entendeu o custo político de barrar a pauta. No Paraná, o sinal foi ainda mais direto: nenhum “não” apareceu entre os votos registrados da bancada.

Com a aprovação em segundo turno, a Câmara concluiu sua etapa na votação do fim da escala 6×1 e deixou a bancada paranaense com um registro difícil de apagar em 2026: no painel nominal analisado, o Paraná não deu voto contra à mudança que leva a jornada para a escala 5×2.

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