Paraná Pesquisas acende alerta econômico e político em Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera os dois cenários de 1º turno testados pela Paraná Pesquisas, divulgada nesta sexta-feira (27), mas o instituto acende um alerta duplo, econômico e político: o “clima de reeleição” piora em fevereiro e o 2º turno pode virar uma disputa no limite contra o bolsonarismo, justamente quando a direita acelera a CPMI do INSS para empurrar o debate para o terreno do desgaste.

A pesquisa nacional ouviu 2.080 eleitores, presencialmente, entre 22 e 25 de fevereiro, em 159 municípios, com margem de erro de 2,2 pontos. A sondagem foi registrada sob o número BR-07974/2026.

No termômetro mais sensível para governo em busca de recondução, 52,2% afirmam que Lula “não merece ser reeleito”, contra 43,9% que dizem que ele merece. Na rodada anterior do próprio instituto, o “não merece” era 51,0% e subiu para 52,2%, um movimento pequeno, mas na direção errada para quem quer entrar no ano com vento a favor.

Não é de somenos que fevereiro ainda esteja distante das urnas e, no começo do ano, o humor do eleitorado costuma ficar mais áspero com a pressão dos boletos das mensalidades escolares, do IPVA e do IPTU, além de seguros, faturas acumuladas das férias e contas que voltam a pesar no orçamento, um contexto que tende a amplificar a insatisfação momentânea e pode ser reequilibrado ao longo do calendário político conforme a economia, a agenda do governo e a própria campanha reorganizem percepções e prioridades.

Esse “efeito fevereiro” não anula o sinal, mas ajuda a ler o dado com lupa: o eleitor irritado com o caixa doméstico costuma responder mais duro a perguntas abstratas sobre merecimento, e isso pode distorcer a temperatura do momento sem definir o voto final.

No plano estritamente eleitoral, Lula lidera o 1º turno em dois desenhos. No cenário 1, marca 39,6% contra 35,3% de Flávio Bolsonaro, com Ratinho Junior em 7,6%.

No cenário 2, Lula aparece com 40,5% e Flávio com 36,6%, enquanto outros nomes ficam bem atrás.

A pedra no sapato está no 2º turno. No confronto direto Lula x Flávio, o instituto registra 44,4% para o bolsonarista e 43,8% para Lula, com 6,9% de branco e nulo e 5,0% de indecisos, margem suficiente para qualquer tropeço virar derrota.

É por isso que, nos bastidores, o campo lulista não descarta um esforço para tentar liquidar a fatura em turno único, puxando voto útil e encurtando o espaço de crescimento do adversário, já que o segundo turno tende a ser mais ácido e mais suscetível ao “anti” do que ao “pro”.

A leitura regional reforça a necessidade de estratégia fina. No Sul, por exemplo, 66,1% dizem que Lula não merece ser reeleito, enquanto o Nordeste segue como principal colchão do petista, com 59,2% dizendo que ele merece.

O recorte religioso também pesa: entre quem participou de celebração religiosa nos 10 dias anteriores, o “não merece” sobe para 57,3%.

No corte econômico indireto, o Bolsa Família continua como marcador de proteção política: entre beneficiários, 63,8% dizem que Lula merece ser reeleito; entre não beneficiários, 57,4% dizem que não merece.

A política entra como segunda lâmina do alerta. Enquanto Lula tenta transformar o ano em agenda de entregas e renda, a direita empurra a disputa para o terreno do escândalo e do “palanque de comissão”, usando a CPMI do INSS para mirar o núcleo familiar do presidente.

Na quinta-feira (26), a CPMI aprovou a quebra de sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e a sessão foi suspensa após confusão entre governistas e oposição.

O roteiro é conhecido em Brasília: quando não há segurança eleitoral, amplia-se o ruído político, multiplica-se requerimento e tenta-se fabricar desgaste por associação, mesmo que a discussão central da comissão, a proteção de aposentados e pensionistas contra fraudes, vire cenário de embate partidário.

Nesse ambiente, Lula tem um problema real e uma oportunidade. O problema é o “não merece” acima de 50% e o 2º turno apertado.

A oportunidade é entender que parte da temperatura de fevereiro é econômica, não ideológica, e que dá para baixar o termômetro com melhora objetiva do cotidiano, além de disputar a pauta moral com diálogo e presença onde hoje a direita fala sozinha.

Para comparação com outros institutos, o cuidado é básico: não se mistura metodologia. O que dá para afirmar com segurança, dentro do mesmo instituto, é a piora de janeiro para fevereiro na pergunta sobre reeleição, e o desenho de um 2º turno que exige sangue-frio e organização.

No balanço, a Paraná Pesquisas não sela 2026, mas aponta o risco: se Lula deixar a política virar CPMI e barulho, o bolso irritado de fevereiro pode virar narrativa permanente, e aí o segundo turno vira roleta. Dito isso, quem governa ainda tem tempo e caneta para reorganizar o cotidiano e desmontar o palanque do desgaste com entrega e comunicação.

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