Papelucho de Flávio lista vetos e excluídos do bolsonarismo no Paraná

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece no centro de um “papelucho” que expõe, por dentro, a régua do bolsonarismo para 2026: quem soma entra, quem divide sai. O documento “situação nos estados”, atribuído por reportagens a anotações debatidas numa reunião da cúpula do PL na terça-feira (24), lista vetos, preferências e recados que raramente chegam ao público.

No Paraná, o alvo mais explícito do descarte é a jornalista Cristina Graeml (União), tratada como obstáculo na corrida pelo Senado. Ao lado do nome dela, a anotação registra “não dá, atrapalha Filipe”, uma frase curta que resume o método: concentrar o voto conservador em um candidato único, o deputado Filipe Barros (PL), para evitar dispersão de eleitorado.

Esse ponto tem impacto político porque Cristina não é adversária do bolsonarismo, ela disputa a mesma faixa de voto. O veto, portanto, não é ideológico, é aritmético, a caneta não discute programa, discute risco de dividir uma vaga.

A mesma lógica aparece em outra anotação: o deputado Fernando Giacobo (PL) surge com veto direto, “não pode ser candidato (Valdemar)”, atribuindo a decisão ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. No miolo do partido, a leitura é pragmática: preservar puxador de votos na Câmara e impedir uma candidatura que reembaralhe o arranjo estadual.

No entanto, o Blog do Esmael apurou que Valdemar Costa Neto e Flávio encomendaram uma pesquisa com o nome de Giacobo como “candidato de Bolsonaro” no Paraná.

O papel também sugere uma fotografia do jogo no governo do Paraná. Entre os nomes listados, Guto Silva (PSD) aparece como “candidato do Ratinho”, sinalizando que o PL trabalha com um cenário em que o governador Ratinho Júnior (PSD) prioriza a sucessão no Estado e negocia palanque, em vez de embarcar numa candidatura ao Planalto.

Papelucho

O papel não cita Rafael Greca (PSD) nem Alexandre Curi (PSD), e isso fala alto. Objetivamente, ambos foram preteridos no desenho da sucessão e reagiram do jeito que político reage quando perde a fila do poder: puxando gente, abrindo porta lateral e acelerando uma debandada no entorno de Ratinho Júnior, que perdeu o controle da sucessão enquanto brinca de Planalto.

Entre o bolsonarismo também circula um desenho de palanque único no Paraná, com Sergio Moro (União Brasil) na cabeça de chapa para o governo. Se esse roteiro avançar, o sacrifício pode vir do outro lado: o PSD e o governador Ratinho Júnior rifariam Guto Silva em nome de um palanque forte no estado para Flávio Bolsonaro. Moro, o ex-juiz da Lava Jato, alimenta a expectativa de migrar para o PL, embora a filiação ainda encontre resistência dentro do partido.

No Senado, o rascunho ainda encosta no nome de Deltan Dallagnol (Novo) como se ele fosse opção real, mas o Blog do Esmael já registrou o obstáculo jurídico que pesa mais do que qualquer pesquisa: a inelegibilidade até 2031, o que pode transformar plano em fumaça quando a Justiça Eleitoral bater o martelo.

O pano de fundo nacional ajuda a entender por que o bolsonarismo faz tantos cortes antes de agosto. Flávio é tratado como o nome do grupo para o Planalto, e o partido tenta impedir “palanques paralelos” e aventuras regionais que criem ruído, especialmente onde há duas vagas ao Senado e uma disputa permanente por liderança do campo conservador.

Portanto, o “papelucho” revela uma direita de gabinete que administra aliados como peças, não como parceiros. Quem ajuda a inflamar base pode ser útil, mas quem ameaça sentar à mesa do poder vira “atrapalho” e é riscado sem cerimônia. O Paraná aparece como laboratório desse controle: candidatura única, veto interno e um recado para a fileira, o projeto manda mais do que a biografia.

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