Início / Ministério da Saúde

Padilha suspende vacina da dengue e cobra Paraná

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), suspendeu nesta segunda-feira (8) o uso da vacina da dengue do Instituto Butantan no Sistema Único de Saúde (SUS), após 42 notificações de reações adversas mais severas, três casos graves e duas mortes ainda sem vínculo causal confirmado com o imunizante.

A decisão atinge a maior aposta brasileira contra a dengue em 2026 e obriga estados e municípios a responderem rápido a uma pergunta básica: quem recebeu a dose, onde recebeu e como será monitorado a partir de agora.

Segundo o Ministério da Saúde, 501.044 doses da vacina do Butantan foram aplicadas no SUS. Desse total, 417.432 foram destinadas a profissionais de saúde de todo o país, grupo que passou a receber o imunizante a partir de fevereiro.

Outras 83.612 doses foram usadas em estratégias específicas para a população de 15 a 59 anos em Maranguape (CE), Nova Lima (MG), Botucatu (SP) e na região de Araguaína (TO). O governo federal orientou que as doses não usadas fiquem armazenadas sob refrigeração nas secretarias locais de saúde.

No Paraná, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou em 26 de fevereiro que havia recebido 31.500 doses da vacina do Butantan e iniciado a distribuição às Regionais de Saúde. A Sesa também informou que o imunizante permitiria ampliar a vacinação de profissionais de saúde na faixa de 15 a 59 anos.

A conta paranaense precisa ser aberta ao público. O governo Ratinho Junior (PSD) deve informar quantas doses chegaram a cada Regional de Saúde, quantas foram aplicadas, quantas seguem armazenadas e quais municípios registraram eventos adversos após a vacinação.

A suspensão não autoriza pânico nem discurso antivacina. Evento adverso pós-vacinação é uma ocorrência temporal que precisa ser notificada, investigada e classificada. O próprio Ministério da Saúde afirma que ainda não há dados suficientes para ligar as mortes à vacina.

A orientação oficial é que quem recebeu a vacina do Butantan nos últimos 21 dias tenha acompanhamento especial em unidade de saúde. Febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramento, sonolência intensa, irritabilidade, sinais de desidratação ou piora do estado geral exigem atendimento médico.

A vacina do Butantan é de dose única, feita com vírus atenuados dos quatro sorotipos da dengue e foi indicada no guia técnico do Ministério da Saúde para pessoas de 15 a 59 anos no SUS. O documento anterior previa avanço gradual conforme disponibilidade de doses e situação epidemiológica de cada território.

A interrupção atinge apenas a vacina do Instituto Butantan. A vacina Qdenga, produzida pela Takeda e usada no SUS para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, não foi incluída na suspensão anunciada nesta segunda-feira (8).

O caso também testa a comunicação pública. Família vacinada não pode ficar dependendo de boato em grupo de WhatsApp, vídeo alarmista ou nota burocrática escondida em site oficial. Secretaria municipal precisa saber o que dizer na unidade básica, e o Estado precisa publicar planilha limpa.

O Manual de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós-Vacinação do Ministério da Saúde determina que eventos graves ou inusitados sejam notificados imediatamente ao nível superior e que a investigação de campo comece em até 48 horas após a notificação.

A responsabilidade agora é política, sanitária e federativa. O Ministério da Saúde precisa esclarecer a investigação, o Butantan precisa entregar dados, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) precisa acompanhar a segurança, e o Paraná precisa dizer com números o que ocorreu em seu território.

A vacina nacional contra a dengue continua sendo uma conquista científica relevante. A confiança pública, porém, depende de transparência nos dados, rapidez no monitoramento e orientação simples para quem tomou a dose.

O Blog do Esmael seguirá cobrando da Sesa a lista de doses recebidas, aplicadas e armazenadas no Paraná, além do protocolo enviado aos municípios. Saúde pública se defende com ciência, SUS forte e informação que chega ao cidadão antes do medo.

Leia também no Blog do Esmael: Aposentadoria especial para agentes de saúde é aprovada pelo Senado; Não sextou: Paraná registra primeiro caso suspeito de intoxicação por metanol; A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (20/6) a Operação Counterfeit