A corajosa e lúcida deputada federal por São Paulo Erika Hilton (Psol), ganhou as
páginas nos últimos dias ao lançar um contundente vídeo nas redes sociais que enfrenta,
com bravura e argumentos, tudo o que disse, também em vídeo, aquele pequeno (e
barulhento) fascista de Minas Gerais, o também deputado federal Nikolas Ferreira. Ele foi
às redes, como costuma fazer, para mentir a respeito de uma taxação do pix nunca proposta
pelo Governo Federal. Acabou por reconhecer, o moleque fascistinha, que o pix não seria
mesmo taxado. Mas tal reconhecimento, em seu vídeo, foi uma cilada, pois sucedido pelo
que representou a essência da mensagem, ou seja, a insinuação da dúvida – “… não duvido
que possa ser” [a cobrança do pix – visando, ardilosamente, criar inquietação social voltada
contra o governo e o presidente Lula.
O vídeo de Nikolas Ferreira, de criação e execução profissionais, mostra como a
extrema-direita utiliza (e bem e em massa) as redes sociais, hoje instrumento privilegiado
para a formação de opinião na sociedade. Aproveita-se, especialmente de ações e falas do
governo e seus aliados, de atividades parlamentares e circunstâncias internacionais para
mentir desbragadamente, deformar informações e inocular na sociedade o vírus de suas
pretensões política e alinhamentos ideológico.
Erika Hilton produziu um vídeo tecnicamente irretocável (disponível no youtube)
mostrando que não basta a menagem, mas o modo com que essa mensagem é apresentada,
um modo que deve ser o mais contemporâneo possível para chamar a atenção e
comunicar-se com o público a que se destina. Aliado a essa apresentação profissional, está
o conteúdo do vídeo apresentado pela parlamentar, uma crítica acerba que começou com o
tema da “taxação” do pix e seguiu, pelos cinco minutos de sua duração, com uma acusação
vigorosa às ideias e ações da extrema-direita no Brasil. A mensagem viralizou, alcançando
um pouco mais de 100 milhões de visualizações. Ainda é pouco em relação às 300 milhões
alcançadas pelo pequeno fascistinha de Minas. Mas é um número e tanto.
Com seu vídeo, Érika reforçou paradigma a ser seguido pelos setores democráticos
e progressistas em comunicação social, que não deve se restringir aos discursos
parlamentares, às declarações governamentais, à publicidade do governo e ao bom
mocismo das palavras. É crucial que a indignação pelas canalhices quase cotidianas da
extrema-direita seja expressa com assertividade. A esquerda, que anda meio molenga a
respeito, precisa reagir, entupir as redes sociais com mensagens duras para que sua voz
chegue, com a necessária clareza e contundência, onde hoje chega a voz das sombras dos
extremistas de direita. É a guerra cultural, a luta pela hegemonia que assuma, no momento
atual, no Brasil e no mundo, dimensões nunca vistas.
*Luiz Manfredini é jornalista e escritor paranaense, autor, entre outros livros, dos romances “As
moças de Minas”, “Memória e Neblina”, “Retrato no entardecer de agosto” e “Os delírios de
Marília H.”.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




