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Nikolas Ferreira vota com governo e acena ao Centrão

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) protagonizou uma cena inusitada na Câmara dos Deputados: votou com o governo na medida provisória que taxava os super-ricos e depois disse que “se confundiu”.

O erro, segundo ele, ocorreu porque estava “cuidando da filha recém-nascida”.

Mas há quem veja o equívoco como ensaio para 2026.

O parlamentar mineiro, expoente da extrema direita, pode estar testando novos caminhos políticos e até flertando com o Centrão, grupo que hoje dá as cartas no Congresso e se aproxima de quem promete verbas e poder.

O voto pró-governo, mesmo “por engano”, abre a Nikolas uma dupla narrativa.

Para o eleitorado mais radical, ele pode alegar que foi distração paternal.

Já para o público moderado, o gesto pode ser vendido como sinal de maturidade política e independência, em tempos em que o PL enfrenta divisões internas.

Na prática, Nikolas criou um fato político com apenas um clique.

Foi um dos dois parlamentares do PL a não seguir a orientação da legenda contra a MP 1303/25, texto que buscava unificar a taxação sobre investimentos financeiros e aumentar a arrecadação federal.

O caso também reforça a disputa por espaço dentro da direita mineira.

Em Minas, onde Lula mantém vantagem nas pesquisas e o bolsonarismo tenta se reorganizar, Nikolas ensaia um reposicionamento.

Se o “voto errado” for o novo acerto, ele pode usar o episódio como símbolo de uma transição: da rebeldia digital para o pragmatismo parlamentar.

Nos bastidores de Brasília, aliados dizem que o episódio foi recebido com ironia.

“Ninguém vota errado duas vezes seguidas no painel eletrônico”, resumiu um líder do Centrão.

Em política, um deslize bem calculado pode render dividendos.

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