Moro rifa Cristina Graeml e entrega Senado a Filipe e Deltan

O senador Sergio Moro (PL) estreou no novo partido, nesta terça-feira (24), em Brasília, empurrando para fora da própria órbita a jornalista Cristina Graeml (União), que vinha tratando o Senado como destino natural no arranjo da direita paranaense. No ato de filiação ao Partido Liberal, Moro apareceu ao lado de Flávio Bolsonaro (PL), formalizou a guinada ao bolsonarismo e exibiu a composição que quer para 2026, com Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) como nomes ao Senado.

A fala de Moro foi direta no vídeo, publicado abaixo, onde ele não deixou margem para dúvida ao dizer que estava com “Felipe Barros e com o Deltan Dallagnol, que são nossos pré-candidatos ao Senado”. Em política, esse tipo de anúncio vale como recado interno, aviso aos aliados e sentença para quem ficou fora da foto.

Para Cristina Graeml, o golpe tem peso duplo. Primeiro, porque ela entrou no União Brasil pelas mãos de Moro, já com projeto de disputar a Câmara Alta. Segundo, porque a vaga que parecia reservada à jornalista foi entregue a Deltan, personagem que ainda carrega o passivo da cassação imposta pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023, com inelegibilidade de oito anos prevista na Lei Complementar 64/90. Ou seja, Moro preferiu o fetiche lavajatista a uma aliada de carne e osso.

O constrangimento ficou ainda mais visível porque, depois da filiação de Moro ao PL e da costura com o Novo, Cristina reagiu publicamente dizendo que não pretende recuar da decisão de concorrer ao Senado. A manifestação mostra que ela não se considera descartada, mas revela também que o jogo virou sem aviso prévio. O padrinho político que a ajudou a trocar de legenda agora trabalha com outro desenho de chapa.

Em 2022, o então senador Alvaro Dias já tinha sentido na pele a chifrada de Moro. O ex-juiz foi para o Podemos como pré-candidato ao Planalto, mas, no meio do caminho, trocou o partido pelo União Brasil, abandonou a corrida presidencial e entrou na disputa pelo Senado no Paraná. No fim, tomou a vaga de Alvaro, que saiu da eleição sem mandato.

Alvaro, Cristina e Moro estão unidos pelo mesmo samba
Alvaro, Cristina e Moro estão unidos pelo mesmo samba: a traição

O Blog do Esmael já vinha apontando esse risco para Cristina. Na semana passada, a leitura dos bastidores mostrava que a aproximação de Moro com o PL e com o Novo abriria guerra por espaço na vice e, sobretudo, nas duas vagas ao Senado. A conta chegou mais cedo do que a jornalista gostaria. Filipe Barros apareceu como nome do PL, e Deltan, mesmo atingido pela inelegibilidade, virou peça do bloco de Moro para manter viva a marca da Lava Jato no palanque paranaense.

Politicamente, o episódio enterra a fantasia de que Cristina seria escolha automática de Moro para o Senado. Agora, restam a ela dois caminhos. Insistir numa candidatura própria, já sem tutela do ex-juiz, ou recalibrar o projeto e mirar a Câmara dos Deputados. A segunda hipótese preserva sobrevivência eleitoral, mas vende a ideia de rebaixamento político.

No Paraná, a cena expõe a regra do novo casamento de Moro com o bolsonarismo. A prioridade não é lealdade, nem coerência, nem gratidão. A prioridade é montar uma chapa que sirva ao plano de poder de 2026. Cristina apostou que estava dentro. Moro, no primeiro ato como filiado do PL, mostrou que ela ficou do lado de fora.

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