O senador Sergio Moro (PL-PR) aparece com 42,6% no cenário estimulado para o governo do Paraná, mas entrou na semana com prazo de cinco dias aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) para apresentar defesa prévia em ação penal por calúnia contra o ministro Gilmar Mendes. A força eleitoral está na pesquisa; o desgaste político está no processo.
A nova frente da disputa é o cruzamento entre voto e Justiça. Como mostrou o Blog do Esmael, Moro lidera a Paraná Pesquisas enquanto Sandro Alex (PSD), nome escolhido pelo governador Ratinho Junior (PSD), aparece com 8,6% no cenário mais amplo. A pesquisa foi divulgada nesta segunda-feira (11).
O levantamento, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PR-00323/2026, ouviu 1.500 eleitores em 57 municípios entre 8 e 10 de maio. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, com grau de confiança de 95%.
No primeiro cenário estimulado, Moro tem 42,6%. Requião Filho (PDT) aparece com 19,7%, Rafael Greca (MDB) marca 16,3%, Sandro Alex registra 8,6%, Luiz França (Missão) tem 0,8% e Tony Garcia (DC) também aparece com 0,8%.
Sem Greca na lista, Moro sobe para 49,2%. Requião Filho vai a 23,7%, Sandro Alex chega a 11%, Tony Garcia marca 1,3% e Luiz França registra 1%. O dado reforça a dianteira de Moro, mas também mostra que a composição final das chapas pode alterar a briga pela vaga no segundo turno.
O problema para Moro é que a campanha estadual não começa em terreno limpo. A ministra Cármen Lúcia determinou a citação do senador e abriu prazo de cinco dias para apresentação de defesa prévia na ação penal em que ele responde por suposta calúnia contra Gilmar Mendes.
O despacho veio depois que a Primeira Turma do STF rejeitou recursos da defesa contra o recebimento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Nesta fase, Moro pode apresentar argumentos, indicar provas e arrolar testemunhas. O interrogatório ocorrerá ao final da instrução.
A ação nasceu do vídeo que o Blog do Esmael registrou em 14 de abril de 2023, quando Moro apareceu rindo em uma festa e falou em “comprar um habeas corpus do Gilmar Mendes”. À época, a assessoria do senador afirmou que o trecho havia sido tirado de contexto e não continha acusação contra ninguém.
A PGR sustenta que Moro atribuiu falsamente a Gilmar Mendes o crime de corrupção passiva. A defesa nega crime e tenta enquadrar o episódio como fala sem intenção de ofender. Essa distinção é central: a denúncia é acusação formal, não prova de culpa nem condenação.
O próprio Blog do Esmael acompanhou o avanço do caso no STF. Em outubro de 2025, a Primeira Turma formou maioria para manter Moro como réu por calúnia contra Gilmar Mendes, com votos de Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes e Flávio Dino contra o recurso da defesa.
A leitura política não permite salto jurídico. O prazo aberto por Cármen Lúcia não torna Moro inelegível, não antecipa condenação e não retira o senador da disputa pelo Palácio Iguaçu. O fato concreto é outro: a pré-candidatura mais forte na pesquisa terá de responder ao STF enquanto tenta vender estabilidade eleitoral ao Paraná.
Esse é o ponto sensível para o bolsonarismo paranaense. Moro tenta ocupar o campo da direita com vantagem numérica, mas carrega uma disputa pública com o STF que fala diretamente ao eleitor conservador, aos adversários internos e ao grupo de Ratinho Junior.
Para aliados, o processo pode ser usado como combustível de perseguição política. Para adversários, a ação penal devolve ao debate público a cobrança sobre a conduta de quem fez carreira com discurso de moralidade judicial. A eleição de 2026 no Paraná tende a explorar essa contradição.
A rejeição ajuda a medir o risco. Na mesma Paraná Pesquisas, Requião Filho lidera esse item com 33,7%, seguido por Moro, com 25,1%, e Greca, com 13,7%. Moro lidera a intenção de voto, mas não entra no jogo sem desgaste acumulado.
O Palácio Iguaçu também tem sua conta. Sandro Alex foi anunciado por Ratinho Junior como pré-candidato ao governo, mas aparece distante da disputa principal, mesmo após a pirotecnia na inauguração da Ponte de Guaratuba. Se Moro conseguir transformar a liderança em sensação de inevitabilidade, o projeto governista terá de recompor discurso, palanque e nome antes da campanha oficial.
O Paraná começa a semana com duas fotografias sobrepostas. Na urna simulada, Moro larga na frente. No STF, a defesa volta ao trabalho. A disputa pelo governo estadual não será decidida por uma decisão processual isolada, mas o processo impede que Moro controle sozinho a narrativa da campanha.
Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
Leia também no Blog do Esmael: Novo pagou R$ 382 mil à empresa da família de Deltan Dallagnol

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




